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ONU: Situação na fronteira entre Síria e Turquia é 'extremamente perigosa'

Ban Ki-moon afirmou que o enviado especial da organização deve voltar a Damasco para tentar negociação

Agência Estado

08 de outubro de 2012 | 19h10

BEIRUTE - A Turquia atacou o território sírio em retaliação à bomba que atingiu um campo de algodão no país, afirmaram oficiais. Este é o sexto dia seguido de hostilidades na fronteira entre as duas nações. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, advertiu nesta segunda-feira, 8, que a escalada do conflito na fronteira entre os dois países é "extremamente perigosa".

"A escalada do conflito ao longo da fronteira entre a Síria e a Turquia e o impacto da crise síria no Líbano são eventos extremamente perigosos", disse Ban em Estrasburgo (França), na abertura do Fórum Mundial para a Democracia. O governo da província turca de Hatay, que fica na fronteira, disse que um projétil sírio caiu em território turco na tarde desta segunda-feira (horário local), causando resposta imediata das Forças Armadas.

Algumas pessoas estavam trabalhando na plantação quando a bomba caiu, perto da cidade de Altinozu, mas ninguém ficou ferido. A Turquia e a Síria estão trocando disparos de artilharia e morteiros desde quarta-feira, quando uma bomba síria matou cinco civis turcos no vilarejo de Akcakale, em outro ponto da fronteira de 800 quilômetros.

O presidente da Turquia, Abdullah Gul, disse nesta segunda-feira que a guerra civil na Síria e o impacto regional do conflito são "o pior cenário que nos atemoriza", acrescentando a ele o sofrimento dos civis sírios, "que também nos afeta". Ao falar com a imprensa em Ancara, Gul disse que a situação na Síria não pode continuar por muito tempo a mais.

"Mais cedo do que tarde haverá uma transição, uma mudança", disse. "Nossa única esperança é que isso aconteça antes que mais sangue seja derramado e antes que a Síria se autodestrua mais do que já se aniquilou até agora. É crucial que a comunidade internacional tome medidas de uma maneira mais efetiva", disse Gul.

Ban disse que o enviado internacional da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, voltará a Damasco nesta semana com os esforços para que aconteça uma transição política e seja aberto algum diálogo entre o presidente sírio Bashar Assad e a oposição.

Violência

Nesta segunda-feira, ativistas e o governo sírio reportaram uma continuação da violência ao redor da Síria. Em Damasco, um carro-bomba guiado por um suicida explodiu perto de um complexo da inteligência síria no subúrbio de Harasta, informou um canal de televisão oficial. Não foi informado se o atentado deixou vítimas.

O Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, grupo opositor sediado em Londres, informou que 20 pessoas foram mortas no vilarejo de Karak, sul da Síria, atacado por tropas do governo. Segundo o grupo, as pessoas estavam em veículos que transportavam feridos e foram atacadas por soldados do governo. Em outros eventos, insurgentes sírios anunciaram a tomada das cidades de Bdama e Khirbet al Joz, perto da fronteira com a Turquia.

Com AP e Dow Jones

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