ONU solicita à Europa ajuda para a força de paz de Darfur

Faltam equipamentos, mas sobram ofertas de unidades de infantaria para formar as tropas

Efe,

11 de setembro de 2007 | 00h42

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, solicitou na segunda-feira, 10, aos países europeus que forneçam as equipes técnicas e o transporte aéreo necessários para que uma força de paz possa ser enviada à região sudanesa de Darfur o mais cedo possível. O pedido foi feito pelo secretário-geral ao voltar de uma viagem de uma semana pela África. Ban se mostrou preocupado com o apoio dos países ocidentais a uma das operações logísticas mais complicadas na história da organização. Segundo as Nações Unidas, a configuração da força de 26 mil soldados da ONU e da União Africana (UA) em Darfur (Unamid) sofre com a falta de blindados, helicópteros e técnicos militares. A dificuldade obrigou a estender até meados de outubro o prazo dado aos Estados-membros para apresentarem a sua contribuição. Faltam equipamentos, mas sobram ofertas de unidades de infantaria. "Temos ofertas de tropas que ultrapassam o que necessitamos. Mas ainda carecemos de forças especializadas, transporte aéreo, técnicos em finanças e outras áreas. Queremos receber contribuições de países não africanos, especialmente europeus", disse Ban. O transporte aéreo e as equipes logísticas são considerados cruciais pelos responsáveis do departamento de Operações de Paz da ONU para cumprir a missão de levar segurança a uma região com a extensão da França, e na qual não existem praticamente meios de comunicação. Tamanho da missão A missão conjunta com a UA em Darfur constitui uma das maiores forças já formadas pela organização desde a fundação da ONU, em 1945. Serão 19.555 soldados, 6.432 policiais e quase 5 mil empregados civis, com um orçamento anual de US$ 2,5 bilhões. Ban afirmou que o presidente do Sudão, Omar Hassan al-Bashir, com quem se reuniu em Cartum, prometeu todo o apoio necessário ao contingente de capacetes azuis nas áreas logística e administrativa. Uma das responsabilidades da nova força de paz será a proteção dos voluntários que assistem aos mais de 2 milhões de refugiados, que no passado foram alvo de agressões por parte das milícias associadas ao governo sudanês. Em Cartum, o secretário de Estado britânico para a África, Lorde Mark Malloch Brown, levou na segunda-feira ao presidente sudanês, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, uma iniciativa do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, para ajudar a resolver o conflito de Darfur. O diplomata não revelou os detalhes do plano. Mas declarou que o projeto apóia o desdobramento da Unamid e as conversas de paz entre o governo sudanês e os rebeldes, previstas para outubro em Trípoli (Líbia). Além disso, apresenta ajuda econômica para o desenvolvimento e a reconstrução da região. Brown explicou que antes de ir ao Sudão passou por Paris, onde se reuniu com seu colega francês, Bernard Kuchner. Ele ressaltou a importância de a França pressionar Abdel Wahed Mohammed Noor, líder do Movimento de Libertação do Sudão (MLS) para participar das negociações de paz. Brown visitará nesta terça-feira, 11, Niyala, capital do sul de Darfur, para se reunir com as autoridades locais e com dirigentes insurgentes na área de Qaridat. O Chade abrigará em duas semanas uma reunião preparatória com os grupos armados de Darfur para que unifiquem suas posições, antes de apresentar uma frente comum num encontro na Líbia. O conflito de Darfur, uma região situada no oeste do Sudão, explodiu em fevereiro de 2003 quando dois grupos rebeldes tomaram as armas para protestar contra a pobreza e marginalização da região e pelo controle dos recursos naturais.

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