ONU subestimou mortes em Mianmar, dizem ativistas

Delegação afirma que número de mortos na repressão ultrapassam as 31 vítimas declaradas pelas Nações Unidas

ROB TAYLOR, REUTERS

14 de dezembro de 2007 | 10h48

O número de mortos na repressão às manifestações de setembro em Mianmar foi bem superior à estimativa feita pela Organização das Nações Unidas (ONU), e muita gente continua desaparecida, disseram nesta sexta-feira, 14, ativistas que acabam de voltar do país. Uma delegação de budistas que conseguiu entrar em Mianmar se passando por turistas disse que conversas secretas com ativistas indicaram pelo menos 70 mortos. O brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, relator especial de direitos humanos da ONU, escreveu em seu relatório que houve 31 mortes. O regime militar birmanês admitiu oficialmente apenas dez vítimas fatais. "O regime se esforça para mostrar que a situação voltou ao normal, e não é nada disso, porque ainda há muita pressão e segurança", disse à Reuters a australiana Jill Jameson, da entidade Buddhist Peace Fellowship. A repressão às manifestações - as maiores desde 1988 - provocaram condenação internacionais e propostas de mais sanções contra o regime birmanês. Jameson entrou em Mianmar com dois religiosos tailandeses e um norte-americano. Eles conversaram com ativistas, monges e entidades humanitárias em Rangun e na fronteira Tailândia-Mianmar. "Uma fonte confiável nos disse que houve 70 pessoas mortas depois das manifestações, quando estavam sendo detidas", afirmou ela. "Disseram-nos que os crematórios estavam funcionando entre 1h e 4h da madrugada." Antes da repressão, havia cerca de meio milhões de monges e noviços budistas em Mianmar. Muitos estão desaparecidos, segundo ONGs. A Human Rights Watch afirmou neste mês, citando relatos de testemunhas, que as forças de segurança dispararam contra os manifestantes e prenderam milhares de pessoas em presídios oficiais e clandestinos. Mianmar está sob regime militar desde 1962. O Exército realizou eleições em 1990, mas não reconheceu a vitória da Liga Nacional pela Democracia, da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, há anos sob prisão domiciliar.

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