ONU sugere investigação de ditaduras na América do Sul

A Organização das Nações Unidas (ONU) quebrou seu tradicional silêncio sobre a situação dos ex-regimes militares na América Latina e sugeriu que os demais governos da região sigam o exemplo dado pela Argentina nos últimos dias e também investiguem os crimes cometidos pelas ditaduras que estiveram presentes em praticamente toda o continente. "A ONU veria com bons olhos a iniciativa da Argentina de lidar com a impunidade repetida por outros países", afirmou um porta-voz da entidade.Ontem, em um comunicado de imprensa, o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, comemorou a decisão do presidente argentino, Nestor Kirchner, de investigar as violações, assassinatos e torturas cometidos pelo regime militar de seu país entre 1976 e 1983."O governo da Argentina está mostrando sua vontade em tratar de forma final com a impunidade", afirmou o alto comissário de Direitos Humanos da ONU, Bertrand Ramcharan. Segundo ele, Buenos Aires está mostrando que aqueles que sofreram com violações não foram esquecidos.A ONU também recebeu bem a notícia de que Buenos Aires está disposta a aderir a uma convenção das Nações Unidas em que se estabelece que leis de anistia, como a que existe no Brasil e em vários países, não podem permitir que crimes de guerra e crimes contra a humanidade sejam protegidos. Nesse caso, autores de assassinatos e o desaparecimento de pessoas durante o regime militar não seriam beneficiados da lei de anistia.A convenção da ONU é de 1968, entrou em vigor em 1970, mas até hoje o Brasil não assinou o documento. O Uruguai aderiu ao tratado em 2001 e, além de Montevidéu, México, Cuba e Bolívia são os únicos latino-americanos que fazem parte do acordo.

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