ONU suspeita do uso de submarinos no tráfico de drogas

Traficantes latino-americanos de cocaína podem estar usando submarinos para fazer a travessia da droga pelo Oceano Atlântico, advertiu hoje Alexandre Schmidt, diretor do ramo africano do Agência das Nações Unidas de Combate às Drogas e ao Crime Organizado. A suspeita foi ventilada em Dacar, no Senegal, durante uma conferência para discutir o combate à passagem de drogas pelo continente africano.

AE, Agência Estado

20 de junho de 2011 | 21h08

Segundo Alexandre Schmidt, é sabido que os cartéis latino-americanos já fizeram uso de submersíveis para viagens pela América do Sul e pelo Caribe. Apesar de nunca ter havido nenhuma apreensão de submarinos com drogas em águas territoriais africanas, há indícios que sugerem a prática, afirmou ele.

"Não estamos falando aqui de submarinos militares, mas de submersíveis menores que podem ser comprados livremente no mercado internacional por qualquer um que tenha alguns milhões de dólares para gastar", declarou Schmidt na abertura do evento, conhecido como Iniciativa Costa do Oeste da África.

A iniciativa foi lançada em 2009 depois de um relatório elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU) ter demonstrado um aumento considerável do tráfico de cocaína na região. Em alguns casos, o volume da droga superava o Produto Interno Bruto (PIB) de países do oeste africano.

O oeste da África transformou-se em escala dos cartéis em meio a uma redução na demanda por drogas na América do Norte simultânea a um aumento dos preços na Europa. Com o aumento da segurança nos portos e aeroportos europeus, os narcotraficantes precisaram encontrar uma escala alternativa.

De acordo com especialistas, as drogas começaram a chegar ao oeste da África a bordo de pequenas embarcações e depois em bimotores que pousavam em ilhas desertas e clareiras. Em novembro de 2009, um Boeing 727 incendiado foi descoberto no deserto do Mali e acredita-se que tenha sido usado para levar cocaína da América Latina para a África para posterior embarque para a Europa.

Acredita-se que o uso de submersíveis leves seja a mais recente evolução do transporte de drogas. Segundo especialistas, isso demonstra que os cartéis estão cada vez mais sofisticados nos métodos de ocultação de suas operações. As informações são da Associated Press.

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