ONU suspende envio de alimentos ao Afeganistão

A reserva de alimentos fornecidos por países estrangeiros a 3,8 milhões de afegãos famintos se esgotará dentro de duas ou três semanas, após a retirada na semana passada dos funcionários internacionais, informou hoje o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas. "Suspendemos o envio de alimentos ao país, em parte devido à falta de caminhões comerciais", disse Christiane Berthiaume, porta-voz do organismo da ONU. A porta-voz explicou que os 370 empregados afegãos do programa continuavam trabalhando normalmente, mas que deixaram de contar com o apoio de 150 organizações não-governamentais, que abandonaram o país junto com o pessoal da ONU uma semana após os ataques terroristas nos EUA."Eles estão enfrentando seu terceiro ano de seca, 20 anos após o início de um período de guerras. Já estão subnutridos e os indícios de fome em massa podem ser detectados em versões sobre pessoas que sofreram paralisia após comerem plantas tóxicas", disse Berthiaume. Kris Janowski, porta-voz da Comissão da ONU para os refugiados, disse ter recebido informações de que dezenas de milhares de pessoas estavam abandonando as cidades afeganes. Algumas seguiram para o Paquistão, mas foram bloqueadas pelo regime dos talebans, que só permitia o cruzamento da fronteira aos que tinham passaporte.Mesmo assim, 5.000 afegãos estão concentrados na cidade fronteiriça de Quetta, no Paquistão, relatou o governo deste país a Janowski. "As fronteiras dos seis países que fazem fronteira com o Afeganistão estão mais ou menos fechadas", acrescentou.Os afegãos constituem o grupo de refugiados mais numeroso do mundo, segundo a ONU. São 3,7 milhões, concentrados principalmente no Paquistão e no Irã. O Paquistão se nega a receber mais afegãos, confinando-os em acampamentos de refugiados na fronteira entre os dois países.

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