ONU tem dificuldade para substituir Sérgio Vieira de Mello

A morte do brasileiro Sérgio Vieira de Mello, no dia 19 de agosto em Bagdá, está deixando um vácuo na liderança de uma das mais prestigiadas agência da ONU. Vieira de Mello, antes de assumir seu posto no Iraque, era Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos, em Genebra, e pretendia voltar a seu trabalho ainda neste mês. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, havia designado o alto comissário adjunto de direitos humanos, Bertrand Ramcharam, como o substituto do brasileiro até que ele retornasse de sua missão em Bagdá. Por três meses, Ramcharam, que há 30 anos trabalha na ONU, emitiu declarações em defesa de grupos discriminados, negociou situações delicadas e representou a ONU em todas as questões relacionadas aos direitos humanos. Com a morte do brasileiro, porém, a ONU passa a buscar alguém para completar o mandato de quatro anos e que foi iniciado no final de 2002 por Vieira de Mello. Fontes em Genebra indicam que Kofi Annan, até agora, não teria conseguido achar alguém com o perfil ideal para o posto.Uma das possibilidades seria a de que o próprio Ramcharam, nascido na Guiana, assumisse o cargo. "É de interesse da ONU a escolha o novo alto comissário o mais rapido possível", afirmou Ramcharam, que afirma não estar em campanha para ficar com o posto, mas admite que, se convidado, poderia aceitar a missão.O problema é que, apesar de ser um dos maiores conhecedores do Alto Comissariado de Direitos Humanos, Ramcharam não tem a simpatia de muitos nos Estados Unidos por suas críticas explícitas às violações aos direitos humanos.Ramcharam, entre outras coisas, defende o envio de relatores independentes da ONU que investiguem a situação de direitos humanos no Iraque. "Sem a proteção dos direitos humanos, a pacificação será difícil no caso iraquiano", afirmou, lembrando que a criação de uma comissão para investigar e punir culpados por violações aos direitos básicos também deveria ser pensada. Outro problema de Ramcharam é que, ao contrário dos antigos comissários da ONU para direitos humanos, seu limitado perfil político não seria ideal para o cargo, altamente polêmico. Antes de Vieira de Mello, o posto era ocupado por Mary Robinson, que havia presidido a Irlanda.Veja galeria de fotos

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