ONU teme por refugiados e falta de comida no Mali

Autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU) disseram estar muito preocupadas com a instabilidade, a existência de grupos armados e a perspectiva de falta de alimentos no Mali, onde cerca de 200 mil pessoas já deixaram suas casas em busca de refúgio em outras partes da região.

AE, Agência Estado

03 de abril de 2012 | 10h49

A porta-voz do Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), Melissa Fleming, disse que mais de 2 mil pessoas fugiram para

Burkina Faso e para a Mauritânia somente nos últimos cinco dias por causa da proliferação de grupos armados nas comunidades do norte do país e de outros episódios de violência desde o golpe de 22 de março.

Ela disse aos jornalistas em Genebra nesta terça-feira que "as mutilações nessas cidades estão aumentando" em meio à crescente insegurança entre fronteiras na África Ocidental.

A porta-voz do programa de alimentos da ONU, Elisabeth Byrs, afirmou que sua agência está "particularmente preocupada" com a perspectiva de grande falta de alimentos no país.

Negociações políticas

Um ex-ministro, que se identifica como negociador-chefe da junta militar do Mali, disse que o principal grupo rebelde que controla o norte do país deseja discutir o futuro do país.

O ex-ministro Mohamed Ag Erlaf disse por telefone nesta terça-feira que o Movimento Nacional pela Libertação de Azawad está aberto a discussões.

Mas o porta-voz do grupo em Paris, Moussa Ag Attaher, afirmou à emissora de televisão France 24 TV, na noite de segunda-feira, que os rebeldes não tiveram contato direto com a junta que derrubou o governo do Mali em 21 de março. Attaher afirmou que o grupo não reconhece o líder do golpe, capitão Amadou Haya Sanogo.

Segundo ele, "nem a comunidade internacional nem a população do Mali o reconhece. Se vamos negociar, precisa ser com alguém que seja reconhecido."

O Conselho de Segurança da ONU vai realizar uma reunião de emergência sobre o Mali, depois que um grupo de soldados derrubou o governo democraticamente eleito do país. A justificativa seria a incompetência do governo em cuidar de uma rebelião de tuaregues no norte do país.

Enquanto o país enfrenta sanções diplomáticas, econômicas e financeiras, islamitas armados começam a impor a lei da Sharia nas cidades onde tomaram o controle, juntamente com combatentes da Al-Qaeda. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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