ONU tenta impedir que pais vendam seus filhos em Mianmar

Nações Unidas dizem que prioridade é identificar famílias vulneráveis e combater o trabalho infantil

Efe,

16 de maio de 2008 | 09h46

A ONU afirmou nesta sexta-feira, 16, que a situação das crianças de Mianmar nas zonas devastadas pelo ciclone Nargis é desoladora e que sua prioridade é ajudar às famílias em pior situação para evitar que "vendam seus filhos ou os obriguem a trabalhar". Com milhares de menores dormindo em meio às fortes chuvas destes dias, o risco de doenças e exploração é alto, declarou a porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Veronique Taveau.   Veja também: Nova tempestade agrava drama em Mianmar Mianmar anuncia que punirá todos que venderem ajuda Mianmar aprova Constituição militar; ciclone Nargis mata 43 mil   Para proteger a infância prejudicada, esse organismo da ONU iniciou um programa de proteção, que terá como uma de suas três prioridades "a identificação das famílias mais vulneráveis que possam estar tentadas a vender suas crianças ou obrigá-las a trabalhar" devido ao desespero. As outras prioridades serão o cadastro e proteção das crianças que ficaram separadas de suas famílias ou órfãs, assim como o acondicionamento de espaços infantis dentro dos acampamentos que abrigam as vítimas do ciclone.   Por enquanto, 500 crianças foram encontradas nessa situação, mencionou Taveau, que considerou esse número provisório.   Organização Mundial da Saúde (OMS) desmentiu o surgimento de uma epidemia de cólera na região do delta do rio Irrawady, em resposta a notícias sobre o assunto. A porta-voz da instituição, Fadela Chaib, explicou que houve uma confusão, pois as autoridades sanitárias birmanesas decidiram tratar os casos de gastroenterite da mesma forma que os de cólera.   A distribuição de ajuda essencial continua sendo muito difícil nessa região, enquanto os socorristas e voluntários que se encontram no local - em sua grande maioria de nacionalidade birmanesa - estão "totalmente esgotados física e emocionalmente", disse uma porta-voz do Escritório de Ajuda Humanitária das Nações Unidas (OCHA).   A entidade considera que o número total de vítimas se situa entre 1,6 milhão e 2,5 milhões, dos quais só 300 mil receberam "algum tipo de ajuda rudimentar", disse sua representante Elizabeth Byrs.

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