ONU tenta libertar capacetes-azuis capturados no Golan

Funcionários de alto escalão da ONU tentavam ontem obter a libertação de 44 capacetes-azuis capturados por rebeldes sírios, que cercaram 72 soldados das forças de paz das Nações Unidas com controle sobre a área fronteiriça das Colinas do Golan desde 1974.

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2014 | 02h02

Os capacetes-azuis foram capturados em meio a combates entre o Exército sírio e grupos armados da oposição. A União Europeia pediu ontem a libertação "imediata e incondicional" dos capacetes-azuis. Cerca de 80 soldados da ONU das Filipinas, todos da unidade que monitora a zona neutra entre Israel e a Síria desde a guerra árabe-israelense de 1973, continuam em dois acampamentos do lado sírio da fronteira.

Relatório da ONU indica que o número de refugiados sírios supera a marca de 3 milhões de pessoas e a guerra que começou em Damasco já exige das Nações Unidas sua maior operação humanitária da história.

Metade da população síria deixou suas casas. Uma a cada oito pessoas saiu do país. Em apenas um ano, o fluxo de refugiados aumentou em um milhão. Dentro da Síria, 6,5 milhões de pessoas abandonaram casas e cidades.

"Famílias estão chegando em um estado de choque, exaustas, com medo e com toda sua economia perdida", declarou a ONU em um comunicado.

Muitos fogem do conflito há mais de um ano, saltando de vilarejo em vilarejo, até conseguir cruzar a fronteira do país.

Segundo a ONU, a fuga tem sido cada vez mais cara, com barreiras exigindo o pagamento de propinas e traficantes e grupos criminosos que chegam a cobrar US$ 100 por pessoa para atravessar partes do deserto.

O país mais afetado pelo fluxo de refugiados é o Líbano, que já recebeu 1,1 milhão de sírios. Desde o início do conflito, a população do Líbano aumentou em 25%. São outros 608 mil na Jordânia e 815 mil na Turquia.

Esses números fazem com que os sírios tenham se transformando na maior população de refugiados do mundo sob o cuidado do Alto Comissariado de Refugiados (Acnur) da ONU. A operação na Síria é a maior nos 64 anos de história da entidade.

"A crise síria se transformou na maior emergência humanitária de nossa era", alertou o Comissário da ONU para Refugiados, Antonio Guterres. Segundo ele, 1,7 milhão de pessoas foram alimentadas pela ONU em 2013. Até hoje, a operação já custou US$ 4,1 bilhões, mas são necessários outros US$ 2 bilhões.

No mês passado, o Acnur disse que cerca de 123.600 sírios tinham procurado asilo na Europa desde que o conflito eclodiu em março de 2011.

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