ONU tenta salvar processo de paz na Colômbia

Em um esforço para salvar o processo de paz, o enviado especial das Nações Unidas, James Le Moyne, iniciou neste sábado uma segunda reunião com os negociadores das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Numa luta contra o relógio, a reunião começou às 11h35 locais. À mesa, ao lado de Le Moyne, diplomata e jornalista americano, e de seu assessor espanhol Andrés Salazar, sentaram-se os negociadores das FARC Raúl Reyes, Andrés París, Simón Trinidad, Joaquín Gómez e Antonio Losada. "Tivemos durante o dia de ontem e à noite discussões muito construtivas", disse o diplomata antes de iniciar a reunião, mostrando um clima positivo que também se refletia no rosto dos dirigentes guerrilheiros. Le Moyne decidiu pernoitar num acampamento das FARC na zona rural de San Vicente del Caguán - dentro da zona desmilitarizada de 42 mil quilômetros quadrados no sul do país cedida pelo governo do presidente Andrés Pastrana à guerrilha -, ali permanecendo até a manhã de hoje, desenvolvendo sua atuação mediadora. "Estamos trabalhando com espírito construtivo e esperamos ter notícias hoje mais tarde", disse Le Moyne aos jornalistas ao lembrar que o prazo para se chegar a uma fórmula conciliadora termina às 21h30 deste sábado (0h30 de domingo no Brasil). Se as FARC não aceitarem retomar as conversações, terão de deixar a zona desmilitarizada o mais tardar até segunda-feira às 21h30 locais. Espera-se que Le Moyne faça consultas com o governo colombiano sobre as propostas que está debatendo com os dirigentes da guerrilha durante o breve período que lhe resta para colocar ambas as partes de acordo. O Comissário de Paz Camilo Gómez, encarregado dos diálogos com as FARC, regressa esta tarde para Bogotá, depois de manter dois dias de reuniões em Havana, Cuba, com membros do Comando Central do Exército de Libertação Nacional (ELN), num esforço para estruturar outro processo de paz com a segunda guerrilha da Colômbia. Apesar do risco de que não ocorra um acordo que evite uma ruptura definitiva do processo e o agravamento da guerra civil de 38 anos no país de mais de 40 milhões de habitantes, a guerrilha diz ter "a segurança" de que se chegue a uma fórmula que possibilite superar o impasse.

Agencia Estado,

12 Janeiro 2002 | 17h49

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