ONU vai fazer investigação paralela de assassinato no Líbano

O Conselho de Segurança da ONU aprovou rapidamente o pedido do Líbano para que ajude nas investigações sobre o assassinato do ministro libanês anti-Síria Pierre Gemayel, ocorrido na terça-feira. O conselho já mantém um comitê que acompanha o processo de investigação do assassinato do ex-premier libanês Rafik Hariri, no ano passado. O conselho agiu rapidamente, poucas horas depois de o secretário geral da ONU, Kofi Annan, enviar uma carta informando que o primeiro ministro libanês, Fuad Saniora, desejava"assistência técnica" da ONU nas investigações promovidas pelo governo do país. O atual presidente do Conselho, Jorge Voto-Bernales, do Peru, disse que não era necessário discutir o pedido. Na terça-feira, o Conselho de Segurança da ONU já havia aprovado planos para a criação de um tribunal internacional para julgar os suspeitos pelo assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri, em fevereiro de 2005. Hariri também era um forte opositor da influência da Síria sobre o Líbano. Muitos libaneses acusam a Síria de estar por trás dos assassinatos. A Síria condenou o ataque e negou qualquer envolvimento. O embaixador dos EUA no conselho, John Bolton, apoiou veementemente o pedido de Saniora de chegou a afirmar, na quarta-feira, que seria "prudente ao conselho agir tão rápido quanto for possível, enquanto a cena do crime e as evidências ainda estão frescas, antes que aconteça alguma obstrução judicial". Nesta quarta-feira, o presidente americano, George W. Bush, prometeu ao primeiro-ministro do Líbano que ajudará o país a se defender do que chamou de "intromissões do Irã e da Síria", segundo um assessor da Casa Branca. De acordo com Gordon Johndroe, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Bush falou por telefone com Siniora e reiterou "o firme compromisso de Washington em ajudar a construir a democracia libanesa e a apoiar a independência contra as intromissões do Irã e da Síria". O assassinato de Pierre Gemayel também foi condenado pelo Irã e pelo Hezbollah, grupo militante xiita do Líbano que tem o apoio de Teerã e Damasco. O presidente americano não culpou explicitamente a Síria nem o Irã, mas defendeu uma investigação para identificar as "pessoas e forças" por trás do ataque. As reações internacionais após o assassinato Na conversa com Siniora, Bush disse que a violência não vai "impedir a comunidade internacional de estabelecer o tribunal especial para o Líbano". Tratava-se de uma referência aos planos aprovados na terça-feira no Conselho de Segurança da ONU. A proposta de criação de um tribunal internacional para julgar os suspeitos pelo assassinato de Hariri foi aprovada pelo governo libanês na semana passada, mesmo depois da renúncia de seis ministros pró-Síria que se opunham ao tribunal. Uma investigação da ONU implicou a Síria no assassinato de Hariri, mas o país negou envolvimento. De acordo com a agência de notícias BBC, o tribunal internacional para julgar os assassinos de Hariri poderia também julgar os responsáveis pela morte de Gemayel. No entanto, a legitimidade deste tribunal é altamente questionada no Líbano, principalmente porque enfrente a oposição de políticos pró-Síria. O presidente Bush também teria telefonado para o pai do ministro morto, o ex-presidente do Líbano Amin Gemayel (1982-88), que teria pedido apoio internacional para encontrar os responsáveis pela morte do seu filho. Ministro da Indústria e importante líder cristão-maronita, Gemayel, de 34 anos, foi morto a tiros na terça-feira em seu carro numa área cristã da capital Beirute. Ele foi o quinto político libanês anti-Síria a ser assassinado nos últimos dois anos. Independência sem comemorações O crime também provocou a suspensão das comemorações do Dia da Independência do Líbano, que estavam previstas para esta quarta-feira. Em vez disso, foi decretado luto oficial de três dias. O governo libanês deslocou tropas do Exército para as ruas de Beirute para evitar distúrbios. Pneus foram queimados no bairro cristão de Ashrafiyeh. Manifestantes anti-Síria também fizeram uma passeata e bloquearam ruas na cidade cristã de Zahle, no leste do Líbano.

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