ONU vai investigar abusos contra crianças

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, ordenou nesta quarta-feira uma investigação sobre as denúncias de que funcionários da ONU abusaram sexualmente de crianças nos campos de refugiados no oeste da África e mostrou-se chocado com as notícias de uma possível exploração massiva das crianças refugiadas. "O secretário-geral reitera a política de tolerância zero para quaisquer atos desse tipo perpetrados por qualquer pessoa empregada pela ONU ou por uma organização afiliada à ONU", afirmou a porta-voz assistente da ONU Marie Okabe. "Ele pretende agir com rigor, caso qualquer dessas denúncias venha a ser confirmada, e quer fazê-lo de forma transparente e rápida."Annan ordenou uma investigação um dia depois que o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) e uma grande organização humanitária divulgaram denúncias de exploração sexual massiva de crianças refugiadas na Libéria, Guiné e Serra Leoa, perpetrada por funcionários locais e por mais de 40 organizações humanitárias e agências da ONU, incluindo o Acnur.Durante uma missão de 40 dias conduzida em outubro e novembro do ano passado, para verificar a violência sexual e a exploração de crianças refugiadas no oeste da África, uma equipe do Acnur e da organização Save the Children, da Inglaterra, ouviram denúncias de que homens empregados localmente pelas organizações internacionais trocavam ajuda e serviços humanitários por sexo, com as meninas de menos de 18 anos. Enquanto a maioria das vítimas era de meninas, alguns garotos também sofreram abuso sexual vindo de mulheres, afirmou Paul Nolan, responsável pelas políticas de proteção às crianças para a Save the Children.

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