AP Photo/Rodrigo Abd
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ONU vai monitorar cessar-fogo após acordo colombiano

Governo e Farc pedem às Nações Unidas e à Celac a criação de uma missão de observação para atuar após anúncio de tratado de paz

O Estado de S. Paulo

19 Janeiro 2016 | 18h44

HAVANA - O governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estabeleceram nesta terça-feira, 19, em Havana, um mecanismo de monitoramento e verificação do futuro cessar-fogo bilateral e definitivo, que incluirá uma missão internacional selecionada pela ONU encarregada também de comprovar o abandono de armas por parte da guerrilha.

O mecanismo será tripartite e estará integrado por representantes escolhidos pelo governo, pela guerrilha e por um componente internacional, informaram as partes em uma declaração conjunta na capital cubana hoje.

Governo e guerrilha decidiram também que pedirão às Nações Unidas que esse grupo de verificadores internacionais seja formado por especialistas civis de países-membros da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC).

O mecanismo de verificação, que iniciará seus trabalhos uma vez que se tenha assinado o acordo para a paz, estará presidido e coordenado por esse grupo internacional, que também terá autoridade para dirimir controvérsias, realizar recomendações e apresentar relatórios.

Sobre o abandono das armas, essa missão internacional "o verificará nos termos e com as devidas garantias que se estabelecerão nos protocolos do acordo".

"Decidimos solicitar ao Conselho de Segurança da ONU a criação dessa missão política com observadores não armados por um período de 12 meses, prorrogáveis a pedido do governo e das Farc", assinalaram as partes em sua declaração, que foi lida em Havana por representantes de Cuba e Noruega, países fiadores do processo de paz, na presença dos negociadores.

Também pedem que essa missão inicie os preparativos necessários, "em estreita coordenação e colaboração com o governo da Colômbia e as Farc, para seu desdobramento", ao mesmo tempo em que as partes garantem que os observadores internacionais gozarão de plenas garantias de segurança.

O governo colombiano e a guerrilha iniciaram na semana passada em Havana a etapa final do processo que pretende pôr fim ao conflito armado mais longevo da América Latina.

Desde que se iniciaram essas conversas, em novembro de 2012, as partes já conseguiram fechar quatro dos cinco pontos que compõem a agenda do processo de paz: terras e desenvolvimento rural; participação política; drogas e narcotráfico; e reparação, verdade e justiça para as vítimas do conflito.

Na mesa de Havana só resta fechar o último ponto da agenda relativo ao fim do conflito, com as atenções voltadas para o dia 23 de março, o prazo que se deram as partes para alcançar um acordo definitivo de paz. / EFE

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