ONU vê avanço na negociação de novo acordo ambiental

Declarações contrastam com outras ocasiões, quando órgão condenou delegados por atrasos nas discussões

AE-AP,

27 de agosto de 2008 | 15h41

A negociação de um novo acordo para prevenir o aquecimento global avançou, segundo o secretário-executivo das Organizações das Nações Unidas (ONU) para o tema, Yvo de Boer. "O processo se acelerou e os governos estão se tornando mais sérios para negociar um resultado", disse. As declarações otimistas contrastam com ocasiões anteriores, quando De Boer condenou delegados por sua postura e pelos atrasos nas discussões sobre o tema. O funcionário da ONU falou nesta quarta-feira, 27, para destacar o fim de uma semana de encontros em Acra, Gana. Veja também: Florestas tornam-se tema chave dos debates da ONU sobre CO2 Verba contra desmatamento racha conferência climática  Reunião sobre efeito estufa debate metas setoriais para CO2 Negociação sobre efeito estufa precisa acelerar, diz ONU Negociação de acordo contra efeito estufa recomeça em Gana "Essa foi uma reunião muito importante e muito encorajadora", disse de Boer. "O processo se acelerou e os governos levaram mais a sério a negociação pra um resultado."Os ambientalistas também concordaram que houve progressos, porém ainda acham lento o ritmo das conversas. "Acra mostra que é possível superar a confusão de visões conflitantes e chegar a um acordo efetivo para combater as mudanças climáticas", avaliou a organização não-governamental WWF, em comunicado. Os delegados encontraram algumas soluções para ajudar os países em desenvolvimento a limitar suas emissões, além de estratégias para compensar as nações mais pobres, especialmente na África. Os delegados encontraram alguns pontos comuns em maneiras para ajudar os países em desenvolvimento a limitar as emissões e estratégias de compensação para os países pobres, especialmente africanos, que provavelmente serão os mais atingidos pelo aquecimento global. "Estamos ficando sem tempo para resolver esse problema, do ponto de vista científico", disse Bill Hare, cientista do Greenpeace, um dos autores do último relatório climático da ONU.  As delegações têm até dezembro de 2009 para completar um dos acordos internacionais mais complexos já negociados, pensado para determinar a redução das emissões pela metade até 2050.O acordo substituiria o Protocolo de Kyoto de 1997, que expira em 2012. Pelo menos dois anos são necessários para uma ratificação que garanta uma transição sem problemas.Sob o Protocolo de Kyoto, as emissões caíram em 37 países que se comprometeram a reduzir suas emissões em 5%, tendo por base os níveis de emissão de 1990, até 2012.  Acra é a terceira reunião desde a primeira, em dezembro de 2007, em Bali, Indonésia. Pelo menos outras cinco ocorrerão até o acordo final.No ano passado, um painel de cientistas promovido pela ONU apontou que as mudanças climáticas já estão ocorrendo. Além disso, os especialistas prevêem efeitos catastróficos, caso a emissão de gases causadores do efeito estufa não seja controlada em 10 ou 15 anos e, depois disso, se reduza consideravelmente. O encontro em Acra foi o terceiro do ano sobre o tema. A intenção é chegar a um acordo que substituía o Protocolo de Kyoto, de 1997, que regula as emissões de 37 países industrializados.Os Estados Unidos rejeitam o acordo de Kyoto, argumentando que ele prejudicaria a economia norte-americana e que o texto não prevê metas para os países emergentes. Em Acra foi discutido um compromisso segundo o qual seriam estabelecidas metas por setores da economia. Porém os países em desenvolvimento ainda não estariam sujeitos a punições, caso não cumpram suas metas. Em outro ponto em que houve avanços, os delegados concordaram que os países devem ser compensados por manter florestas. A próxima rodada de negociações ocorre em Poznan, na Polônia, em dezembro.

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