ONU vê banho de sangue contra tâmeis

Médico diz que pelo menos mil civis foram mortos nos ataques

EFE, O Estadao de S.Paulo

12 de maio de 2009 | 00h00

A ONU denunciou ontem que os combates do fim de semana no último reduto da guerrilha tâmil no norte do Sri Lanka causaram um "banho de sangue". Um médico na zona de guerra disse que pelo menos mil civis teriam sido mortos em dois dias de ataques. Pelo menos 430 civis, entre eles 106 crianças, foram levados ao hospital para serem enterrados ou morreram em suas instalações.Na mais sangrenta jornada da ofensiva do Exército cingalês contra o último reduto dos rebeldes separatistas tigres tâmeis, no nordeste do Sri Lanka, aproximadamente 1.300 ficaram feridos, disseram fontes médicas do país. O porta-voz da ONU no Sri Lanka, Gordon Weiss, assegurou que a ONU "não atribuirá" a responsabilidade pelo massacre, do qual governo e guerrilha se acusam mutuamente.Após lembrar que há entre 50 mil e 100 mil civis na região em que o Exército lançou sua ofensiva final, Weiss acrescentou que "a ONU já tinha alertado que haveria um banho de sangue, pois civis estão no meio dos combates". Um trabalhador humanitário disse que o único que tem "capacidade para lançar ataques aéreos é o governo".Os Tigres de Libertação do Eelam Tâmil resistem em uma faixa litorânea de apenas 4 km² do Distrito de Mullaitivu, no norte do Sri Lanka. O governo nega que esteja usando artilharia pesada ou bombardeios aéreos contra o reduto e acusou a guerrilha de usar a população como um escudo humano e impedi-la de abandonar a área.O site TamilNet, ligado aos rebeldes, diz que cerca de 2 mil civis teriam sido mortos nos ataques do governo cingalês, que se intensificaram nas últimas três semanas - cifra desmentida pelo Exército. A organização Human Rights Watch faz acusação semelhante, afirmando que os militares cingaleses têm atingido hospitais na zona de guerra. Para a ONG, os comandantes envolvidos na operação "devem ser julgados por crimes de guerra". O Exército diz que não tem usado explosivos nas áreas de maior concentração populacional, onde os tâmeis estão escondidos.

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