ONU vê caminho de diálogo aberto em Mianmar

Enviado especial encontra-se com líder da oposição e aposta em diálogo entre governo e Aung San Suu Kyi

Reuters e Efe,

08 de novembro de 2007 | 11h12

Um caminho de "diálogo substancial" entre a junta militar de Mianmar e a líder da oposição detida Aung San Suu Kyi foi aberto, afirmou nesta quinta-feira o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) Ibrahim Gambari.  Veja também:Ativistas retomam protestos durante visita de Gambari "Temos agora um processo acontecendo, que levará a um diálogo substancial entre o governo e Aung San Suu Kyi. Será um elemento-chave na promoção da reconciliação nacional de forma inclusiva", afirmou ele em comunicado. "Quanto mais cedo tal diálogo puder ser iniciado, melhor para Mianmar." Novos grupos de ativistas a favor da democracia começaram a realizar pequenos atos de protesto em um novo desafio à junta militar de Mianmar, no dia em que o emissário da ONU reuniu-se com Suu Kyi ao final de uma visita de seis dias ao país. Após uma hora de encontro, Suu Kyi foi devolvida sob escolta à residência à beira de um lago onde vive sob prisão domiciliar durante 12 dos últimos 18 anos.  A junta autorizou a líder da oposição a encontrar-se com membros da Liga Nacional pela Democracia (LND), informou nesta quinta a televisão local.O encontro foi um dos assuntos discutidos pelo enviado especial das Nações Unidas, Ibrahim Gambari, com membros da executiva da LND, a legenda liderada por Suu Kyi. O diplomata, que também foi recebido por monges budistas e por três dirigentes da Liga Nacional pela Democracia, o partido de Suu Kyi, saiu de lá diretamente para o aeroporto. Na semana que vem, ele fala a membros do Conselho de Segurança da ONU em Nova York. Aparentemente, não terá muito de positivo a dizer. Essa foi sua segunda visita desde a brutal repressão de setembro às manifestações pró-democracia em Mianmar, que deixaram pelo menos 10 mortos, talvez mais. Os militares governam o país ininterruptamente desde 1962. Em 1990, a Liga Nacional para a Democracia venceu eleições que foram canceladas. A antiga Birmânia, uma das regiões mais prósperas da Ásia na época de sua independência (1948), vive hoje uma situação desastrosa por causa de experiências com um socialismo local, da corrupção e, mais recentemente, de sanções ocidentais.

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