ONU vê com cautela novo acordo climático em 2009

O principal funcionário da ONU paraquestões climáticas disse na terça-feira que a definição de umnovo acordo global contra o aquecimento até o final de 2009seria o ideal, mas que muita coisa precisa ser feita para queisso ocorra. "Há esta sensação de urgência, precisamos que isso sejacompletado o mais rapidamente possível", disse Yvo de Boer àReuters durante uma reunião com 158 países em Viena. Muitos especialistas dizem que 2009 é o limite prático paraum novo acordo climático que substitua o Protocolo de Kyoto apartir de 2012. Isso ocorre porque uma empresa que estejaconstruindo, por exemplo, uma usina termoelétrica a carvão ouum campo com moinhos para captação de energia eólica precisariasaber com anos de antecedência quais serão as regras para asemissões de gases do efeito estufa. "Então, finalizar as coisas em 2009 seria o ideal. Mastambém temos de ser realistas sobre a quantidade de trabalho aser feita", disse De Boer, diretor do Secretariado de MudançaClimática da ONU. Cerca de mil delegados estão reunidos de 27 a 31 de agostoem Viena para analisar formas de desacelerar o aquecimentoglobal. A conclusão de um acordo até 2009 se tornou um ponto dehonra para os EUA e outros países do G8 (grupo dos sete paísesmais industrializados do mundo mais a Rússia), que estipularamesse prazo em junho. "Conseguimos negociar o Protocolo de Kyoto em dois anos.Este é muito mais complicado", alertou De Boer. Negociado de 1995 a 1997, o Protocolo de Kyoto obriga 35países industrializados a reduzirem suas emissões de gases doefeito estufa, até 2008-12, para 5 por cento abaixo dos níveisde 1990. A maior parte desses gases é resultado da queima decombustíveis fósseis. "Por ora, é por 2009 que devemos trabalhar", disse De Boer,quando questionado se o acordo não poderia ficar para 2010. Muitos governos querem que os ministros do Meio Ambienteque se reúnem em dezembro em Bali (Indonésia) para iniciar osdois anos de negociações aceitem um tratado internacional maisamplo que substitua o de Kyoto. O novo acordo tentaria envolver os Estados Unidos, que,apesar de serem os maiores poluidores do mundo, abandonaram oProtocolo de Kyoto, alegando que ele trazia prejuízoseconômicos. Outra meta será a inclusão de grandes países emdesenvolvimento, como China e Índia. "Acho que haverá um acordo em 2009", previu Hans Verolme,climatologista da ONG ambiental WWF, lembrando que há umacrescente sensação de que o assunto é urgente.

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