ONU vê 'desastre humanitário' em prisões superlotadas

O chefe do Escritório contra as Drogas e o Crime da Organização das Nações Unidas (ONU) alertou hoje que o mundo enfrenta um "desastre humanitário" por causa das prisões superlotadas. Antonio Maria Costa afirma que existe uma população carcerária permanente de 30 milhões de pessoas no mundo e que o problema da superlotação é particularmente grave nos países mais pobres. Costa disse que a maneira de liberar espaço nas prisões inclui o oferecimento de penas alternativas à prisão para crimes menos graves e internar viciados em drogas em hospitais e "não nas mãos de carcereiros".

AE-AP, Agencia Estado

16 de abril de 2009 | 16h16

Costa também alertou que as prisões superlotadas são "universidades para criminosos" e um campo de proliferação do vírus HIV, que provoca a Aids. "Nós enfrentamos um desastre humanitário", disse Costa, ao reparar que existem "situações dramáticas" em penitenciárias na África, América Central e Caribe. Costa disse que visitou uma prisão no Haiti com capacidade para 400 presos e na qual vivem 4 mil detentos, com alguns deles com tão pouco espaço que eram obrigados a passar a maior parte do dia em pé. "Eu nunca vi algo assim. Eu acredito que durante a escravidão os indivíduos eram tratados de maneira melhor", afirmou.

Ele alertou que colocar presos em ambientes sem nenhuma higiene e péssimas condições de vida é algo que ameaça luta da sociedade contra a Aids, porque quando soltos os presos poderão contaminar pessoas fora da cadeia. "Nós enfrentamos no mundo uma onda de criminalidade que virou uma crise na segurança", disse Costa. "Essa crise precisa ser debelada antes que espalhe mais medo, violência, corrupção e pobreza no mundo". A partir de 24 de abril, representantes de 40 países se encontrarão em Viena para discutir durante uma semana questões como a reforma penal e a redução das populações carcerárias.

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