ONU vê indícios de crimes contra humanidade na repressão na Síria

Relatório revela casos de assassinatos, desaparecimentos, tortura e detenções ilegais no país

Efe

18 de agosto de 2011 | 10h40

GENEBRA - A ONU afirmou nesta quinta-feira, 18, que existem indícios de crimes contra a humanidade na sistemática repressão por parte do governo da Síria das revoltas civis opositoras.

 

 

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O alto comissariado da ONU para os Direitos Humanos divulgou um relatório que revela inúmeros casos de assassinatos, desaparecimentos, tortura e detenções ilegais no país.

 

"Foram evidenciados casos de violação de Direitos Humanos, com ataques generalizados e sistemáticos contra a população civil, que podem representar crimes contra a humanidade, como estabelece o artigo 7 do Estatuto de Roma", afirma o relatório.

 

A ONU se baseou em declarações de testemunhas de "várias execuções sumárias" no marco da repressão das manifestações contra o regime do presidente Bashar al Assad e oferece as identidades de 353 vítimas dessas execuções.

 

O Alto Comissariado denuncia também que membros das forças de segurança sírias fizeram-se passar por manifestantes "para estimular os distúrbios" e considera desproporcional a resposta do governo de Damasco "aos violentos incidentes causados por uma minoria dos participantes de algumas manifestações".

 

"O uso desproporcional da força por parte do Exército e das forças de segurança sírias vulnera as obrigações internacionais contraídas pela Síria em matéria de Direitos Humanos", acrescenta o organismo das Nações Unidas, que ressalta o espírito "majoritariamente pacífico" dos protestos civis.

 

Baixas civis

 

O relatório destaca que a maioria de mortes durante as manifestações foram provocadas pelos disparos realizados por forças governamentais, tanto militares quanto policiais, e que existia um "modus operandi" para causar baixas entre os civis.

 

"Civis foram assassinados pelas tropas no terreno, franco-atiradores que estavam nos telhados e pela força aérea", afirma.

 

"A existência de uma aparente política de 'disparar para matar' fica evidente pelo fato de a maioria dos ferimentos de bala nas vítimas estar localizada na cabeça, no peito e em geral na parte superior do corpo", acrescenta.

 

Munição real

 

Além disso, depoimentos de desertores do Exército e de policiais revelaram que eles receberam ordens de utilizar munição real contra os manifestantes.

 

"Os que não disparavam contra os civis recebiam disparos pelas costas de outros oficiais da segurança ou de unidades dos "shabiha" (pistoleiros do regime)", revelaram.

 

"Os oficiais disparavam frequentemente de maneira indiscriminada contra os civis, a curta distância e sem aviso prévio. Muitas crianças e mulheres foram assassinadas", denuncia o Alto Comissariado, que também recolheu depoimentos de testemunhas que disseram ter sido frequente o uso de tanques, helicópteros e metralhadoras em áreas urbanas de todo o país.

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