Mike Segar / Reuters
Mike Segar / Reuters

ONU vê relação entre Brexit e aumento da violência

Entidades internacionais que monitoram crimes de ódio confirmam que há um aumento deste tipo de ataque nos últimos anos na Europa

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2018 | 06h00

Entidades internacionais que monitoram crimes de ódio confirmam que há um aumento deste tipo de ataque nos últimos anos na Europa. Para relatores da ONU, o que surpreende é a onda de ataques registrados depois da votação do Brexit (a saída do Reino Unido da União Europeia), em junho de 2016. Em três anos, os casos de crimes de ódio na Dinamarca, por exemplo, passaram de 110 para 274. 

Segundo a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), os casos registrados pela polícia alemã aumentaram de 3 mil em 2015 para 3,6 mil em 2016. Na ONU, a estimativa é que, em 2016, cerca de dez ataques ocorreram contra migrantes e refugiados a cada dia na Alemanha, uma alta de 42% em comparação a 2015.

Dados oficiais do governo alemão ainda apontam que, em 2017, 950 ataques contra muçulmanos foram registrados no país. Do total, 60 ações ocorreram contra instituições da comunidade muçulmana. Ao menos 33 pessoas ficaram feridas. 

O volume de casos ganhou tal proporção que, desde de janeiro, a polícia alemã começou a registrar crimes islamofóbicos em uma categoria especial. Hoje, a Alemanha conta com 4,7 milhões de muçulmanos – 3 milhões são de origem turca e já em sua segunda geração. 

Tanto a ONU como a OSCE registraram o mesmo fenômeno em outros países europeus. Na Espanha, esses crimes se multiplicaram por mais de quatro entre 2012 e 2016, passando de 261 incidentes para 1,2 mil. Na Itália, os crimes de ódio registrados subiram de 71 em 2012 para 763 em 2016. Um aumento parecido ocorreu na Áustria, que passou de 91 casos em 2012 para 425 em 2016. Na Finlândia, os incidentes dobraram entre 2014 e 2015, atingindo 1,7 mil. No Reino Unido, os registros saltaram de 47 mil casos em 2013 para mais de 80 mil em 2016.

“Estados não têm desculpas para permitir e muito menos promover racismo e xenofobia”, alerta a entidade. “Há uma obrigação de proibir e eliminar discriminação racional para garantir o direito a todos.” 

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