ONU vê risco de guerra civil na Costa do Marfim

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, advertiu que há um "risco real" do retorno da guerra civil à Costa do Marfim. Falando ontem, Ban disse que os mantenedores de paz da entidade vão enfrentar um quadro crítico nos próximos dias, a menos que o presidente Laurent Gbagbo retire um bloqueio da sede da oposição.

AE, Agência Estado

22 de dezembro de 2010 | 10h31

A ONU e outros líderes mundiais reconhecem Alassane Ouattara como o vencedor das contestadas eleições do mês passado. Gbagbo se recusa a deixar o poder, além de manter forças no entorno do prédio onde o rival está sediado. A ONU advertiu que as pessoas do prédio não recebem auxílio médico e que a entrega de comida e água também enfrenta problemas. Segundo Ban, qualquer tentativa e submeter a missão da entidade "não será tolerada".

Gbagbo expulsou os mantenedores de paz da ONU do país do oeste africano no fim de semana, mas a ONU se recusou a sair, além de ampliar seu mandato nesta nação para até junho. Centenas de mantenedores de paz estão guardando o hotel Golf, onde Ouattara se encontra.

Em um discurso no fim do dia de ontem, Gbagbo disse que "a comunidade internacional declarou guerra à Costa do Marfim". Há o temor de que o pessoal da ONU e estrangeiros em geral se tornem alvos. No fim de semana, homens armados e mascarados abriram fogo contra uma base da ONU na Costa do Marfim, sem deixar feridos.

O secretário-geral da ONU também disse que os mantenedores de paz concluíram que mercenários foram recrutados para lutar no país, incluindo ex-combatentes da Libéria. Na guerra civil marfinense (2002-2003), houve o envolvimento de liberianos em quase todos os lados do conflito. A própria Libéria sofreu com guerras civis até 2003. Os dois países compartilham uma fronteira de 600 quilômetros de extensão.

A ONU afirma que mais de 50 pessoas foram mortas nos últimos dias na Costa do Marfim. Há ainda centenas de relatos sobre pessoas sequestradas de suas casas durante a noite por homens armados em uniformes militares. A Alta Comissária da ONU para Assuntos Humanitários, Navi Pillay, notou que há crescentes evidências de "violações generalizadas dos direitos humanos".

A Anistia Internacional afirmou ontem que recebeu relatos de pessoas sendo presas ou sequestradas por forças leais a Gbagbo. A intimidação, segundo a entidade não governamental, não ocorre apenas na capital, Abidjã, mas também em outros pontos do país.

Recomendação

O governo da França recomendou a seus cidadãos que deixem a Costa do Marfim provisoriamente, disse hoje François Baroin, um porta-voz do governo. A estimativa é de que vivam no país africano cerca de 15 mil cidadãos franceses. O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha também recomendou que os alemães deixem a nação do oeste africano. Em comunicado, a chancelaria em Berlim também advertiu as pessoas que desejam viajar para a Costa do Marfim. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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