ONU volta atenção para arsenal nuclear no Oriente Médio

O representante russo Anatoly Antonov divulgou hoje um comunicado sobre objetivos de não-proliferação e desarmamento nuclear, em nome dos cinco países que, reconhecidamente, detêm armas do gênero (Rússia, Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e China). "Nós estamos comprometidos com a completa implementação da resolução de 1995 sobre o Oriente Médio", disse ele.

AE-AP, Agência Estado

05 Maio 2010 | 20h53

A declaração de Antonov foi feita no Salão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), durante o terceiro dia da conferência de um mês sobre a revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), e soa como uma possível retomada de esforços para tratar do tema.

A resolução de 1995 citada pelo russo orienta para que o Oriente Médio seja uma zona livre de armas de destruição em massa - nucleares, químicas e biológicas. Assim, a região se juntaria a outras cinco livres de armas nucleares - África, sudeste e centro asiático, Pacífico Sul e América Latina - cobrindo 116 países que tornaram ilegal a presença de armas atômicas em seus territórios.

Segundo o embaixador egípcio, Maged Abdelaziz, "esta conferência (da ONU) representa um ponto fundamental na história do tratado e uma oportunidade que pode ser a última e precisa ser agarrada". Hoje também, a subsecretária de Estado norte-americana para Controle de Armas e Segurança, Ellen Tauscher, disse que a falta de um amplo acordo de paz entre árabes e israelenses é um obstáculo. "A questão é o que fazer na falta de um plano de paz?", disse ela sobre a ideia de uma zona "livre de armas nucleares".

Analistas avaliam que é pequena a chance de uma movimentação rápida na direção desse tratado no Oriente Médio. Israel afirma que um acordo de paz entre árabes e israelenses precisa ser alcançado antes de o país considerar um regime que compreenda toda a região. Acredita-se que o arsenal não reconhecido de Israel seja de 80 ogivas nucleares. Juntamente com a Índia e o Paquistão, que têm armas nucleares, e a Coreia do Norte, que tem um programa de armas, Israel é uma das quatro nações que não faz parte do TNP.

Nesta quarta-feira, em Viena, a agência de notícias Associated Press obteve informações de que Yukiya Amano, diretor geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), pede que os 151 integrantes do organismo ligado à ONU deem sugestões sobre como persuadir Israel e desistir de suas armas e participar do tratado do não-proliferação. Mas, no ano passado, os membros quase não aprovaram uma resolução criticando Israel por permanecer fora do TNP.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.