Chip East/Reuters
Chip East/Reuters

ONU vota nesta quinta-feira novo status da Palestina

Apesar da oposição de Israel e dos EUA, cerca de 150 países são a favor do novo status

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h09

NOVA YORK - A Palestina deve ser reconhecida hoje como Estado observador das Nações Unidas em votação na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. Apesar da oposição de Israel e dos EUA, cerca de 150 países são a favor do novo status palestino, incluindo Brasil, Rússia, China, Índia, França e África do Sul.

A iniciativa palestina, que ocorre no aniversário de 65 anos da decisão da mesma Assembleia-Geral dividindo a região entre um Estado judaico e outro árabe, ganhou ontem o apoio de mais países europeus. Espanha, Suíça e Dinamarca juntaram-se à França na decisão de reconhecer o novo Estado.

A Grã-Bretanha, que vinha com uma posição próxima a da americana, não descartava ontem a possibilidade de votar a favor. A Alemanha e a República Checa indicavam que poderiam votar contra, juntando-se aos EUA e a Israel na oposição ao reconhecimento da Palestina como Estado observador.

Esse cenário aumentou o ceticismo em Israel de que nem mesmo uma "vitória moral", com o apoio das principais potências ocidentais, será alcançada. Dos 27 países da União Europeia, ao menos 15 apoiarão os palestinos. A maioria dos demais, como a Itália, optará pela abstenção.

Mark Regev, porta-voz do governo israelense, disse ter ficado "decepcionado com a decisão de alguns amigos europeus" de votarem a favor da Palestina. "No fim, o que vemos na ONU é um grande teatro. Não afetará em nada a realidade", disse. Israel afirma que o reconhecimento de um Estado só pode ser resultado de um processo de negociação entre os dois lados.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, que está em Nova York, onde se reuniu ontem com autoridades americanas, tentou, no ano passado, obter a condição de membro pleno das Nações Unidas. Neste caso, precisaria também da aprovação do Conselho de Segurança - no qual Obama afirmou que usaria o poder de veto americano, inviabilizando a iniciativa.

A decisão de ir à Assembleia-Geral foi tomada há meses, mas ganhou mais força nas últimas semanas. Alguns países, como a França, afirmam ser importante fortalecer Abbas no momento em que o Hamas ganha popularidade, não apenas na Faixa de Gaza, mas também na Cisjordânia, depois de vários confrontos armados contra Israel.

A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Victoria Nuland, mais uma vez, declarou que Washington não é contra os palestinos, mas que "a criação da Palestina deve ser feita por meio de negociações, não na Assembleia-Geral".

Os EUA, assim como outros países europeus, tentaram convencer Abbas a abrandar o teor da resolução, pedindo a inclusão de uma garantia de que não buscará o Tribunal Penal Internacional caso ganhe status de Estado observador e concorde em retornar à mesa de diálogo - ambas as exigências foram rejeitadas.

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