ONU vota resolução contra Cuba

A Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU) vota hoje uma resolução que pode condenar Cuba por violar os direitos humanos. A votação, porém, promete ser uma das mais apertadas dos últimos anos, já que a condenação está dividindo as grandes potências mundiais, fato pouco comum quando se trata de Cuba. O problema é a exigência de alguns países europeus, como a França, de que o embargo norte-americano à ilha seja mencionado, o que não é aceito pelos Estados Unidos.De fato, essa é uma das primeiras vezes que os europeus estão divididos sobre o tema. Os delegados espanhóis passaram todo o dia de hoje em consultas com Madri para saberem que posição tomariam. Portugal chegou a cogitar a possibilidade de se abster na votação. Outro obstáculo é a insistência em manter, no texto, a referência ao fato de que os problemas econômicos de Cuba são, de fato, gerados pelo sistema político que adotam. Para Washington, a condenação de Cuba é um ponto de honra na sua política externa.A resolução foi apresentada pela República Checa, mas, nos corredores da ONU, todos sabem que Praga apenas está servindo aos interesses dos Estados Unidos. A relação com Washington ficou ainda mais evidente quando os norte-americanos exigiram que os checos retirassem do texto uma referência às conseqüências negativas que o embargo estaria gerando para a situação econômica da ilha.A situação de Praga ficou tão constrangedora que os diplomatas latino-americanos chegaram a comentar que os checos fazem papel de satélite. Durante a Guerra Fria, estiveram no campo de influência dos soviéticos. Apesar de alguns países europeus estarem se inclinando para uma posição mais favorável a Cuba, alguns governos latino-americanos preferem condenar a ilha. É o caso da Guatemala, Equador e Uruguai. O Brasil historicamente se abstém. A explicação: não se trata de uma questão de direitos humanos, mas de política.

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