Opaq: armas químicas sírias podem ser destruídas no mar

Um porta-voz da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) sobre armas químicas afirmou nesta quarta-feira que o arsenal de armas químicas do governo sírio pode ser destruído no mar. A ação contraria a ideia inicial de encontrar um país disposto a receber os materiais.

Agência Estado

20 de novembro de 2013 | 16h33

A Opaq quer destruir aproximadamente 1,3 mil tonelada de agentes tóxicos da Síria até a metade do próximo ano, mas o plano sofreu um golpe na semana passada quando a Albânia rejeitou o pedido dos Estados Unidos para que fosse o local da destruição. Autoridades da Bélgica e da Noruega também descartaram seus países como locais para a arriscada operação.

O porta-voz da Opaq, Christian Chartier, afirmou nesta quarta-feira que a destruição das armas químicas no mar, em um barco ou plataforma flutuante, é uma possibilidade "factível". "Todas as opções estão na mesa", afirmou ele. Entre os sistemas móveis que poderiam ser colocados no barco e enviados ao mar há um operado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

O Sistema de Campo de Hidrólise é um sistema de neutralização transportável que usa água, outros agentes químicos e calor para transformar material químico de guerra em compostos que não podem ser usados como armas.

O cientista e consultor para o desarmamento de armas químicas Ralf Trapp lembrou que, no passado, arsenais desta espécie já foram transportados de barco para locais remotos, dentre eles um carregamento norte-americano levado para o atol Johnston, no Pacífico, para destruição. Entretanto, o consultor destacou que desconhecia o uso prévios de um barco ou de plataformas flutuantes para a destruição das substâncias letais na escala que seria necessária para os estoques sírios.

Trapp destacou que usar uma instalação no mar pode ter várias vantagens, incluindo a possibilidade de contaminação distante de áreas habitadas. Porém, o cientista alertou para situações que teriam de ser resolvidas antes, incluindo aquelas relacionadas às restrições da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, destinado a proteger o ambiente marinho. Trapp também levantou a questão do transporte da carga, ao considerar o risco para marinheiros, o tráfego marítimo e oceanos em geral.

No caso de incineração das armas, Trapp afirmou que especialistas teriam que decidir o que fazer com os resíduos líquidos resultantes do uso de água para extinguir e tratar os gases gerados como subprodutos. "É preciso avaliar se esses fluxos de água salgada podem ser liberados sem efeitos negativos para o ambiente marítimo, ou se tais fluxos de resíduos precisam ser tratados no mar ou armazenados para posterior tratamento em terra", comentou Trapp.

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