Opções de Obama para chefiar a agência de inteligência

Cenário: David Sanger / NYT

O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2012 | 02h05

O presidente Barack Obama iniciou a procura de um novo diretor para a CIA, agência de inteligência americana, num momento especialmente delicado. A troca de David Petraeus ocorre no meio de uma investigação sobre a morte de um embaixador dos EUA em Benghazi, na Líbia, num período crucial na guerra secreta contra o Irã e quando o governo reflete sobre uma ação mais concreta na Síria.

Em cada um desses cenários, Petraeus, que se demitiu em razão de um caso extraconjugal, serviu Obama com sua experiência e cobertura política. Considerado um herói pelos republicanos pelo seu trabalho no Iraque e no Afeganistão - e pelos seus ocasionais desacordos com o presidente sobre a retirada das tropas -, Petraeus acabara de chegar de uma viagem à Líbia e ao Oriente Médio quando o escândalo surgiu.

"Essa viagem foi um lembrete das profundas relações que o general nutriu durante uma longa carreira militar na região, das quais Obama dependia", disse um funcionário do alto escalão do governo. "Ele é fundamental para tudo o que temos sobre a mesa. No momento em que estamos prestes a uma grande reviravolta, Petraeus deveria ser uma fonte de estabilidade."

Mesmo antes da chegada de Petraeus à CIA, a influência da agência em Washington já era considerável. O uso de aviões não tripulados (drones) foi o sistema escolhido por Obama para atacar a Al-Qaeda nas áreas tribais do Paquistão. E uma unidade especial da agência foi responsável pelo ataque ao complexo nuclear do Irã, que levou o nome de Jogos Olímpicos, a primeira vez em que foram usadas armas cibernéticas americanas contra outro Estado. A utilização de forças paramilitares da CIA aproximou mais a agência das suas raízes de um modo não visto desde as operações clandestinas do Departamento de Serviços Estratégicos na 2.ª Guerra.

Petraeus, no início, não se adaptou à agência, mas, depois, se habituou à estrutura não hierárquica. Segundo diversos oficiais, Obama poderá nomear rapidamente Michael Morell como seu substituto, o que traria o mais respeitado analista de inteligência da agência para a chefia da organização. O presidente também poderá escolher um homem de dentro da Casa Branca, considerado por muitos a pessoa que supervisiona toda a infraestrutura da inteligência americana.

Trata-se de John Brennan, agente aposentado que chefiou a sucursal da CIA na Arábia Saudita. Tanto Brennan como Morell criaram vínculos fortes com Obama. Ambos foram figuras centrais na operação que localizou e matou Osama bin Laden e estão no centro de um programa secreto para debilitar o programa nuclear do Irã.

Nas palavras de um antigo oficial que trabalhou com eles, "ambos seriam opções tranquilas para um presidente que discordava de um aparelho de inteligência excessivamente ampliado" - Obama considerava a CIA lenta para lhe fornecer o que precisava e, em outras ocasiões, capaz de extrapolar seu papel e influir nas decisões políticas.

A situação de Brennan é mais controvertida. Ele foi cogitado para ocupar a função há quatro anos, quando Obama foi eleito. Seu nome, porém, foi retirado quando alguns defensores dos direitos humanos o acusaram de apoiar ou tolerar o uso da tortura quando foi assessor de George Tenet, que dirigiu a CIA de 1997 a 2004. Acusações similares foram feitas contra muitos outros veteranos da agência.

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