REUTERS/Goran Tomasevic
REUTERS/Goran Tomasevic

Operação americana reforça presença na Líbia

Número é muito maior que o apurado há cinco meses pela coalizão ocidental que apoia o governo líbio provisório

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2016 | 05h00

A Líbia abriga até 6 mil combatentes do Estado Islâmico “e mais 2 mil de outras organizações extremistas”, segundo o Comando dos Estados Unidos na África (Africom). É grave. O número é muito maior que o apurado há cinco meses pela coalizão ocidental que apoia o governo líbio provisório. 

Pior: os serviços de inteligência acreditam que Abu Bakr al-Baghdadi, o líder do EI, pretenda instalar um núcleo do comando supremo da organização no país, devastado por uma caótica guerra civil que já dura cinco anos, desde a morte do ditador Muamar Kadafi.

O ambiente de insurreição preocupa a Europa. Um relatório de 2014 do almirante James Stavridis, ex-comandante naval da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), alerta para a “perigosa proximidade territorial” da Líbia com o sul da Itália. 

A reação começou há três dias. A Operação Odisseia Brilhante empregou uma frota de aviões de ataque e drones, aeronaves não tripuladas, para atingir alvos em uma longa faixa do litoral, não apenas em Sirte. De acordo com o Africom, teriam sido atingidos objetivos estratégicos, como um centro de treinamento avançado e instalações de infraestrutura “cuja destruição compromete o esforço dos grupos radicais”.

A ação deve durar uma semana. O bombardeio confirma a disposição das forças americanas em manter o país como uma quarta frente de luta - assim como a Síria, o Iraque e o Afeganistão.

A Odisseia Brilhante foi autorizada diretamente pelo presidente Barack Obama, por recomendação do Secretário da Defesa, Ash Carter, e do Chefe do Estado-Maior Conjunto, general Joseph Dunford.

Navio. Não há pessoal em terra, garante o Pentágono, embora confirme a entrada e saída de pequenos times de militares das forças especiais empenhados em levantar dados de inteligência e manter contato com as forças governamentais avançadas. 

Todavia, está na área, navegando no Mediterrâneo, a 80 quilômetros da costa, o imenso Wasp, de 40,5 mil toneladas, um navio de assalto, porta-helicópteros e de caças de pouso e decolagem verticais do tipo AV-8 Harrier. Pode levar até 1.894 fuzileiros além dos 1.208 tripulantes. A bordo do gigante de 257 metros, há 6 Harriers, 4 helicópteros artilhados Cobra e 4 aeronaves Osprey, que decolam como helicópteros e voam como aviões. Canhões, mísseis e metralhadoras completam o arsenal embarcado.

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