Operação antiterror prende 19 na França

Ações em Paris e no interior concentram-se em suspeitos de extremismo islâmico; Sarkozy veta depoimento de chefes do serviço secreto no Senado

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

31 Março 2012 | 03h05

Uma semana após a morte do terrorista Mohamed Merah em um cerco policial, em Toulouse, no sul da França, a polícia e os serviços secretos do país fizeram ontem operações conjuntas em seis regiões, incluindo Paris, para prender membros suspeitos de redes islâmicas radicais. As intervenções resultaram na prisão de 19 pessoas e na apreensão de armas.

As intervenções policiais foram realizadas em Paris, Nantes, Lyon, Toulouse e em balneários da Côte d'Azur. A operação teve início à noite, quando a imprensa foi chamada para acompanhar algumas das operações - provocando críticas pelo uso eleitoral das imagens. De acordo com o jornal Le Monde, as ações foram autorizadas pelos juízes Nathalie Poux e Marc Trévidic.

A ofensiva contra as células de radicais islâmicos não teria relações com Merah, autor de três atentados que deixaram sete mortos nas cidades de Toulouse e Montauban entre os dias 11 e 21. A garantia foi dada pelo ministro do Interior, Claude Guéant.

A coleta de informações teria começado em outubro de 2011, antes dos ataques de Merah, portanto, por iniciativa da Direção Central de Informação Interior, o serviço secreto interior do país.

Entre os detidos na operação estão membros do grupo islâmico Forsane Alizza, ou "Cavalheiros do Orgulho". A organização é formada por cerca de 150 membros em todo o país, em especial na região de Nantes, 385 quilômetros a sudoeste de Paris.

O mais conhecido entre os presos é Mohamed Achamlane, líder e porta-voz do grupo, dissolvido pela polícia em janeiro depois de ter se especializado em pequenas ações midiáticas, como protestos em frente a redes de fast food e tribunais de Justiça.

Segundo Guéant, três fuzis AK-47, uma pistola Glock e uma granada estariam em poder dos suspeitos. "Esse grupo agride os princípios republicanos com uma teoria de substituição da lei francesa pela lei islâmica e o estabelecimento de um califado em nosso país", disse o ministro.

No fim da manhã, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, concedeu entrevista à rádio Europe 1 e reiterou que seu governo adotará tolerância zero contra o islamismo radical que represente uma ameaça ao país.

Sarkozy disse também que sua gestão expulsará imigrantes com dupla nacionalidade que se envolvam com atividades extremistas. "Haverá outras operações, que continuarão e nos permitirão igualmente expulsar do território nacional pessoas que, no fundo, não têm nada a fazer aqui."

Ainda ontem, o governo francês anunciou que não autorizará que os chefes dos dois serviços secretos da França - exterior e interior -, Erard Corbin de Mangoux e Bernard Squarcini, sejam ouvidos em audiência do Senado, como solicitado. Os senadores haviam pedido explicações sobre as suspeitas de falhas nas investigações em Toulouse e sobre os vínculos entre Merah e o serviço secreto, para quem o terrorista prestaria serviços como informante, segundo revelou a imprensa da França e da Itália.

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