AP photo/Rick Bowmer
AP photo/Rick Bowmer

Operação contra milícia armada nos EUA termina com uma morte

Homens armados tinham ocupado no começo do ano uma reserva natural no Estado de Oregon para protestar contra penas de prisão impostas a dois fazendeiros que queimaram terras federais

O Estado de S. Paulo

27 Janeiro 2016 | 11h42

WASHINGTON - Uma pessoa morreu na terça-feira durante uma operação policial contra uma milícia armada que tinha ocupado instalações do governo em um parque natural no Estado do Oregon, no oeste dos Estados Unidos, e na qual os líderes e vários integrantes da milícia foram detidos.

A polícia estadual do Oregon e o FBI informaram, em comunicado conjunto, a morte de uma das pessoas que seriam detidas, e explicaram que durante a operação, que aconteceu em uma estrada nos arredores de Burns, "houve troca de tiros".

Outras seis pessoas, entre elas os líderes da milícia, foram detidas, cinco na mesma operação na estrada e a sexta em uma detenção paralela na cidade de Burns. Os seis são acusados de "conspiração para obstruir o trabalho dos agentes federais".

Na operação em que um dos suspeitos morreu, as autoridades detiveram o veículo em que estavam os membros da milícia, o que resultou em uma troca de tiros, mas, por enquanto, ainda não se sabe quem fez o primeiro disparo.

As autoridades não divulgaram a identidade do homem morto, mas a imprensa local afirmou que ele seria Robert "LaVoy" Finicum, o porta-voz da milícia. 

No dia 2 de janeiro, os milicianos armados tomaram um edifício da reserva natural de Malheur como parte de um protesto na cidade de Burns em apoio a dois fazendeiros condenados por realizar queimadas em um terreno rural do governo sem permissão.

Desde então, outras pessoas provenientes de todo o país se juntaram aos milicianos, e os amotinados organizaram vários encontros com a população local para defender sua posição e protestar contra o que consideram abusos e autoritarismo do governo federal.

À frente dos amotinados se encontram os irmãos Ammon e Ryan Mundy, filhos do fazendeiro de Nevada Cliven Bundy, conhecido por levar anos desafiando o governo ao se negar a pagar pelo fato de seu gado pastar em terrenos federais. Os dois irmãos foram detidos na operação policial, e Ryan ficou ferido, mas com pouca gravidade.

A prolongada ocupação do parque fez as autoridades do Oregon solicitarem uma intervenção da polícia para acabar com a situação. "É tempo de acabar com esta loucura", disse na sexta-feira em um comunicado o juiz do condado de Harney, Steve Grasty.

Além disso, na quarta-feira passada a governadora do Oregon, Kate Brown, enviou uma carta para o governo federal expressando sua insatisfação com a secretário de Justiça, Loretta Lynch, e diretor do FBI, James Comey, pela atuação no caso. A carta denunciava a presença de "criminosos armados que intimidam vizinhos do condado de Harney e procuram por confronto".

O fato que desencadeou o protesto foi a condenação ditada contra dois fazendeiros do Oregon, Dwight Hammond e seu filho Steve, por terem feito queimadas não autorizadas em terreno federal em 2001 e 2006.

Em um princípio, o pai da família Hammond foi condenado a três meses de prisão e seu filho a um ano, penas que cumpriram, mas, em outubro, um tribunal de apelações considerou que a punição era branda demais e aumentou a condenação para cerca de mais quatro anos para cada um, já que as leis federais punem o incêndio provocado com pelo menos cinco anos de prisão.

Os Hammond alegam que o fogo foi ateado em sua propriedade para evitar o crescimento de plantas invasoras, mas a versão do governo no julgamento foi muito diferente: os dois se dedicavam à caça ilegal e a outras atividades ilegais e provocaram os incêndios para apagar as provas.

Para os milicianos, os Hammond são alvo de intimidação do governo e são tratados como "terroristas" sem merecê-lo. Mas o motivo de fundo do protesto é a reivindicação do direito das pessoas ao uso gratuito dos terrenos governamentais, algo que os milicianos consideram um princípio constitucional que devem defender "frente à tirania" do governo central.

Nos protestos de Burns, uma área montanhosa extremamente remota do oeste americano, há pessoas armadas pertencentes a milícias autorreguladas, inspiradas nas forças insurgentes que surgiram quase espontaneamente e enfrentaram os britânicos durante a independência do país, declarada em 1776.

Essas milícias armadas modernas, de corte conservador e antissistema, justificam sua existência no texto da Segunda Emenda da Constituição que fala de uma "milícia bem regulada" e do direito de portar armas, mas em um contexto que remonta ao fim do século 18. / EFE e AFP

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