Stephen Crowley/The New York Times
Stephen Crowley/The New York Times

Operação da CIA no Paquistão matou reféns da Al-Qaeda, diz Obama

Presidente admitiu que bombardeios de drones dos EUA vitimaram o americano Warren Weinstein e o italiano Giovanni Lo Porto, em janeiro

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

23 de abril de 2015 | 12h26

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama,  reconheceu na manhã desta quinta-feira, 23, que uma operação da CIA no Paquistão em janeiro provocou a morte de um refém americano e outro italiano que estavam em poder da Al-Qaeda.

"É uma verdade cruel e amarga que na névoa da guerra em geral e na nossa luta contra terroristas em particular, erros, às vezes fatais, podem ocorrer", declarou Obama na Casa Branca, ressaltando que assume "total responsabilidade" pelo episódio.

O americano Warren Weinstein estava em poder da Al Qaeda desde 2011. O italiano Giovanni Lo Porto havia sido sequestrado no ano seguinte. "A análise de todas as informações disponíveis levou a comunidade de inteligência a concluir com alto grau de confiança que a operação matou os dois reféns de maneira acidental", disse nota divulgada pela Casa Branca.

Obama determinou os documentos com dados relativos à operação, que até agora era secreta, fossem tornados públicos. Apesar de sustentar que ela foi "legal e conduzida nos termos das práticas antiterroristas", a Casa Branca também ordenou uma revisão independente dos fatos, com o objetivo de prevenir sua repetição no futuro.

A ação foi realizada com drones e seu alvo era uma base da Al-Qaeda. Além dos reféns, os mísseis mataram um americano que integrava a liderança do grupo islâmico, Ahmed Farouq. Outra operação provocou a morte de Adam Gadahn, um americano que se converteu ao islamismo quando tinha 17 anos e se tornou um dos porta-vozes e conselheiros de comunicação da Al-Qaeda.

Segundo Obama, dados de inteligência obtidos após "centenas de horas de vigilância" indicavam que o local era uma base da Al-Qaeda e que não havia presença de civis. Também mostravam que "capturar os terroristas" não era possível. "O que nós não sabíamos, tragicamente, é que a Al-Qaeda estava escondendo a presença de Warren e Giovanni nesse mesmo complexo", declarou Obama. 

O presidente disse ter determinado que a operação fosse tornada pública porque as famílias dos reféns "merecem saber a verdade". "Eu tomei essa decisão porque mesmo que alguns aspectos de nossos esforços de segurança nacional tenham que permanecer secretos para serem bem sucedidos, os Estados Unidos são uma democracia comprometida com abertura em tempos bons e ruins."

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