Haberturk TV / AP
Haberturk TV / AP

Resgate de piloto que se ejetou de avião russo atingido por jato turco durou 12 horas

Para porta-voz de facção rebelde, missão ‘foi como James Bond’. Aeronave russa foi abatida por jatos da Turquia após o país alegar que teve seu espaço aéreo invadido; Moscou nega invasão

O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2015 | 11h15

BEIRUTE - Em meio à guerra civil na Síria, dois pilotos russos se ejetaram da aeronave russa atingida na terça-feira por jatos turcos e saltaram de paraquedas em uma região montanhosa, próxima à fronteira com a Turquia. Ancara alegou que a Rússia invadiu seu espaço aéreo, mas esta nega.

Enquanto saltavam, foram vistos por rebeldes sírios, que abriram fogo na direção deles. Um dos tiros acertou o piloto Oleg Peshkov, que já estava morto quando chegou ao solo.

O copiloto Konstantin Murakhtin teve mais sorte. O vento levou o paraquedas dele para perto da linha de frente, próxima às tropas do governo. Lá, ele esperou por mais de 12 horas até que uma unidade de comando síria conseguisse chegar até ele.

Enquanto dois helicópteros russos tentavam chegar ao local do acidente para procurar sobreviventes, um deles foi atingido por rebeldes, brigando o piloto a fazer um pouso de emergência, disse um militar da Rússia. Rebeldes sírios afirmaram que a aeronave foi atingida por um míssil fabricado nos EUA.

“Foi como James Bond”, disse Zakaria Ahmad, porta-voz da facção rebelde conhecida como Sham Front - afiliada ao Exército Livre da Síria - e que opera na área onde as operações de terça-feira foram realizadas.

A região é habitada principalmente por turcos sírios, minoria com relações próximas com a Turquia, e tem sido recentemente um local de grande atividade militar em meio à ofensiva da Síria por terra e os ataques aéreos russos.

Alguns relatos apontam que Murakhtin foi encontrado por um time de operações especiais sírio que agiu ao lado de membros do grupo Hezbollah. O Exército sírio disse que foi uma operação conjunta de Moscou e Damasco.

Murakhtin afirmou para uma rede de televisão que tinha certeza que o avião deles não havia invadido o espaço aéreo da Turquia, “nem por um segundo sequer”. “Como piloto, eu conhecia cada montanha que existia e podia determinar a localização mesmo sem instrumentos”, após voar em inúmeras missões de combate na região, disse.

Ele negou a afirmação da Turquia de que os jatos emitiram alertas antes de abrir fogo. “Não houve nenhum aviso, seja por rádio ou visual”, afirmou, acrescentando que os jatos turcos poderiam ter feito um curso paralelo para pedir que o avião russo mudasse de direção.

Falando de costas para a câmera, o piloto contou que estava ansioso para continuar voando em missões para vingar o seu comandante. Murakhtin não deu detalhes sobre a operação de resgate.

Segundo o ministro de Defesa russo Sergei Shoigu, a operação de resgate foi conduzida por forças especiais russas e sírias, e durou 12 horas.

Em uma declaração, o Exército da Síria detalhou que ambas as forças entraram cerca de 4,5 km em uma área controlada por “terroristas” para resgatar o piloto. Contudo, de acordo com Ahmad, o piloto foi levado para uma área na linha de frente que nenhum dos dois lados havia conseguido alcançar anteriormente.

Diplomacia. Turquia e Rússia não podem se dar ao luxo de manter relações de inimizade, disse nesta quinta-feira, 26, o ministro responsável pelas relações entre Turquia e a União Europeia.

Em um discurso realizado em Ancara, Volkan Bozkir afirmou que esperava que as relações com Moscou fossem mantidas após o incidente. Ele disse também que era esperado um progresso sobre entrada da Turquia no bloco. /ASSOCIATED PRESS e REUTERS

Tudo o que sabemos sobre:
resgateRússiaTurquiajatos

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.