Operação do Exército colombiano acha prova de vida de reféns das Farc

Presos três guerrilheiros com vídeos e cartas de seqüestrados que supostamente seriam endereçados a Chávez

Efe, Ap e Reuters, O Estadao de S.Paulo

01 de dezembro de 2007 | 00h00

O Exército colombiano apreendeu ontem provas de vida de vários reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), entre eles a ex-candidata à presidência Ingrid Betancourt. O material - cartas e vídeos dos reféns - foi descoberto graças à prisão de três membros das Farc em Bogotá, na noite de quinta-feira.O alto comissário para a paz na Colômbia, Luis Carlos Restrepo, que anunciou a apreensão, apresentou um vídeo com imagens de Ingrid e de outros seqüestrados. A gravação de 52 segundos não tem som. Nela, a ex-candidata presidencial aparece magra e abatida, sentada numa cadeira, olhando para o chão. Desde 2003 que as Farc não divulgavam provas de vida de Ingrid, seqüestrada em fevereiro de 2002.Os três suspeitos detidos num hotel de Bogotá, segundo o governo, faziam parte da rede urbana das Farc na capital. O Exército foi informado da chegada dos guerrilheiros na cidade e acreditava que eles planejavam ataques terroristas durante o Natal.No entanto, assim que invadiram o quarto dos três, descobriram vários pacotes sobre as camas que continham cinco vídeos - quatro aparentemente feitos em 23 e 24 de outubro e outro gravado em 1º de janeiro - e sete cartas de reféns. Uma das cartas foi escrita por Ingrid para sua mãe, Yolanda Pulecio. As outras seis eram endereçadas a parentes de reféns, ao chefe das Farc, Jorge Briceño, e ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez.A senadora colombiana Piedad Córdoba, que junto com Chávez mediava a libertação dos reféns com as Farc, disse que o material havia sido trazido para ela, que o entregaria ao presidente venezuelano. "A mediação de Chávez estava sendo feita com responsabilidade", disse Piedad, que na semana passada - assim como Chávez - foi afastada das negociações com as Farc pelo presidente da Colômbia, Alvaro Uribe.O governo colombiano afirmou que todo o material apreendido foi entregue à Justiça, mas não fez nenhum comentário sobre os destinatários dos vídeos e das cartas. "Não temos informação sobre quem receberia esse material", afirmou Restrepo, que representa o governo nas negociações com os rebeldes.Outras gravações mostram o senador Luís Eladio Pérez, o sargento Erasmo Romero, o tenente Dianel Rodríguez e os três reféns americanos, Keith Stansell, Marc Gonsalves e Thomas Howes, além de outros oito policiais e militares. Ao todo, 17 dos 45 políticos, policiais e soldados cuja libertação vinha sendo negociada aparecem nas imagens.Astrid Betancourt, irmã de Ingrid, disse que a família ficou "feliz" com a prova de vida e agradeceu a Chávez. "Queríamos agradecer ao presidente da Venezuela e à senadora Piedad Córdoba porque foi graças a eles que obtivemos essa prova de que Ingrid está viva", disse.

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