Operação do Taleban liberta 476 de penitenciária de Kandahar

Mais de 100 fugitivos pertencem ao grupo, que admitiu ter construído o túnel com mais de 300m usado na ação

Adriana Carranca, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2011 | 00h00

ENVIADA ESPECIAL / CABUL

Passava pouco das 6 horas e a notícia já se havia espalhado feito pólvora entre os afegãos: pelo menos 476 detentos, entre os quais mais de 100 milicianos do Taleban, escaparam durante a madrugada de ontem do presídio de segurança máxima de Kandahar, no sul do Afeganistão, uma das mais violentas províncias do país.

O centro de detenção de Sariposa é o maior da região e abriga criminosos comuns, traficantes e insurgentes. Entre eles, membros do comando e do segundo escalão do Taleban, além de milicianos. A fuga ocorreu dez dias após o assassinato do chefe da segurança local, Mohammad Mojayed, vítima do ataque de um homem-bomba em seu escritório.

Em outro atentado, em junho de 2008, mais de 1.000 dos 1.200 prisioneiros escaparam do mesmo complexo, em um ataque que deixou 15 seguranças mortos. Entre os fugitivos estavam cerca de 400 taleban.

Ontem, os prisioneiros escaparam por um túnel com cerca de 320 metros, segundo informou o general Ghulam Dastageer Mayar, na capital afegã, Cabul. O militar afirmou que a polícia local fez buscas pela província e até o começo da tarde de ontem, oito presos tinham sido recapturados.

Um porta-voz do Taleban,que se identifica como Qari Yousif Ahmadi e fala com poucos jornalistas locais, por telefones que mudam constantemente e sem nunca revelar onde está, assumiu a autoria da ação. Segundo Ahmadi, um total de 541 presos, entre eles 106 milicianos, conseguiram fugir.

Em nota enviada à imprensa, outro porta-voz do Taleban, Zabiullah Mujahid, afirmou que a escavação do túnel levou cinco meses. Segundo Mujahid, a fuga de ontem foi liderada por três de seus milicianos e durou cerca de quatro horas.

Os prisioneiros libertados teriam sido levados para "locais seguros" em carros que aguardavam do lado de fora do complexo. Mujahid disse ainda que homens-bomba estavam posicionados nas proximidades do presídio para agir caso os guardas notassem o movimento dentro do pavilhão. "Mas as forças de segurança nada notaram até a manhã", disse.

O grupo radical islâmico publicou detalhes da operação em sua website, agora em também inglês e durante o dia mandava mensagens de SMS a jornalistas locais. "É a propaganda Taleban", contou o repórter afegão Farhad Peikar, que escreve para a imprensa estrangeira.

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