Operadora de Fukushima pede ajuda do governo japonês para pagar indenizações

Tepco, que opera a usina nuclear danificada por terremoto no Japão, diz estar em situação financeira extremamente difícil.

Ewerthon Tobace, BBC

10 de maio de 2011 | 07h27

O presidente da Tokyo Electric Power Company (Tepco), Masataka Shimizu, pediu hoje ajuda ao governo japonês para pagar as compensações financeiras às famílias que foram obrigadas a deixar suas casas por causa do vazamento nuclear na usina de Fukushima, causado pelo terremoto e pelo tsunami do dia 11 de março.

Depois de entregar o pedido formal, por escrito, ao ministro da Economia japonês, Banri Kaieda, a empresa divulgou seu plano de corte de custo.

Entre as medidas, está a diminuição dos salários dos funcionários, inclusive dos executivos e da diretoria.

O valor total das compensações ainda não foi divulgado, mas analistas dizem que deve passar dos US$ 100 bilhões.

Num comunicado, a empresa disse que enfrenta "uma situação extremamente severa" em relação à captação de fundos e vai precisar de ajuda do governo para poder pagar imediatamente as compensações "justas".

O ministro das Finanças, Yoshihiko Noda, deu a entender que o governo dará alguma forma de suporte à Tepco.

"Basicamente, a Tepco é responsável pela compensação, mas o governo vai garantir que aqueles que foram afetados sejam compensados", disse Noda.

Ele acrescentou que há várias formas de o governo ajudar a Tepco, mas não disse quais seriam elas.

A companhia energética é a maior do Japão e atende uma área que corresponde a 33% da economia local.

Plano de compensação

Nas últimas semanas, a Tepco, seus credores e o governo vêm tentando criar um plano que possa permitir à companhia energética compensar as vítimas da crise nuclear.

Ao mesmo tempo, a empresa quebra a cabeça com os bilhões de dólares que serão gastos com combustível extra para gerar eletricidade, no lugar da usina de Fukushima, e garantir que não haja apagões no verão.

"Estamos adotando meios para garantir um fornecimento suficiente de energia elétrica e evitar os cortes programados", disse Shimizu na carta enviada à Kaieda.

A mídia japonesa, no entanto, já divulgou que pode haver, em breve, um aumento das contas de energia elétrica.

Desde o início da crise nuclear, cerca de 80 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas num raio de 20 quilômetros da usina.

Agricultura, pesca e comércio foram afetados e, segundo cálculos do governo, a zona de evacuação deverá continuar inabitada até o ano que vem.

A Tepco continua trabalhando para recuperar a usina de Fukushima e diz que precisará de mais nove meses para ter novamente o controle total da usina.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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