Operadora de turismo inglesa retira turistas da Tunísia

A operadora de turismo britânica Thomas Cook está retirando hoje 1.800 turistas da Tunísia. A empresa informou que quer levar as pessoas de volta para casa por causa dos distúrbios que se espalham pelo país. Embora não tenha detectado problemas específicos para os turistas na Tunísia, a Thomas Cook pede a todos que deixem o país como precaução. "Tomamos a decisão de levá-los de volta para a Grã-Bretanha o mais rápido possível, usando nossa frota de aviões hoje", diz em comunicado.

AE, Agência Estado

14 de janeiro de 2011 | 10h52

A retirada, que se soma ao cancelamento de voos da Grã-Bretanha para a Tunísia, deve atingir fortemente a indústria do turismo do país no norte da África, um dos principais setores da economia local.

Outra operadora britânica, a Thomson, informou que cancelou um voo que partiria no domingo para a Tunísia. A empresa, de propriedade da TUI Travel, disse que estava monitorando a situação e organizando voos de volta para turistas que quiserem antecipar sua volta.

Manifestação

Dezenas de milhares de tunisianos realizaram hoje uma passeada pedindo a saída do presidente Zine al-Abidine Ben Ali, indicando que as recentes concessões anunciadas pelo governo para conter os protestos no país não foram suficientes para conter a população.

Grupos de estudantes, professores, médicos e advogados gritavam "Fora Ben Ali" em frente ao Ministério do Interior, enquanto policiais uniformizados e à paisana permaneciam em posição defensiva ao redor do prédio de seis andares, visto como um símbolo da repressão imposta pelo presidente, que há 23 anos ocupa o cargo. Os manifestantes também cantaram o hino nacional do país entre os gritos contra o presidente.

As forças de segurança se alinharam calmamente no Boulevard Habib Bourguiba enquanto os manifestantes se aglomeravam no local durante a manhã, aparentemente obedecendo à ordem presidencial dada na noite de ontem para evitar o uso de munição de verdade contra manifestantes e permitir protestos pacíficos. Os manifestantes assobiavam para os policiais à paisana que olhavam para eles do prédio do Ministério do Interior e de edifícios vizinhos. Alguns estavam filmando os manifestantes.

Os protestos de hoje foram um sinal da ira da população contra o autocrático governo de Ben Ali, que não foi abrandada com as promessas, feitas no dia anterior, de que ele não vai tentar outro mandato. Num discurso de dez minutos à nação, Ben Ali disse que não tem a intenção de alterar o limite de idade constitucional para presidentes, que é de 75 anos, o que significa que seria inelegível para tentar uma nova presidência, já que atualmente ele tem 74 anos. Seu atual mandato se encerra em 2014.

Os protestos contra o desemprego tiveram início em meados de dezembro na região de Sidi Bouzid, no oeste, mas rapidamente se espalharam pelo país e nesta semana finalmente chegaram à capital. O governo diz que 23 manifestantes morreram desde o início dos distúrbios, mas os dados oficiais não são atualizados há dias. A Organização das Nações Unidas (ONU) diz que o número de mortos é o dobro do anunciado pelo governo. Líderes das manifestações dizem que mais de 60 pessoas morreram. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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