Operadora de usina no Japão vê desligamento em 6 a 9 meses

A Tokyo Electric Power do Japão disse neste domingo esperar atingir um "desligamento frio" de sua usina nuclear Fukushima Daiichi, danificada pelo terremoto e tsunami de 11 de março, dentro de seis ou nove meses, estabelecendo um cronograma para colocar sob controle a pior crise nuclear no mundo em 25 anos.

TAIGA URANAKA, REUTERS

17 de abril de 2011 | 10h24

Dentro de três meses a Tokyo Electric disse que espera esfriar os reatores e o combustível usado na usina para um nível estável, e estabelecer uma tendência de declínio para os vazamentos de radiação.

Em mais três ou seis meses, a maior companhia de energia da Ásia, pretende assegurar um "desligamento frio" na usina, um estado no qual a água que está resfriando as barras de combustível fica abaixo de 100 graus celsius e o reator é considerado estável.

A empresa, conhecida comumente como Tepco, tem enfrentado dificuldades para estabilizar o complexo de Fukushima, que foi seriamente danificada pelo terremoto e tsunami de 11 de março, e tem vazado radiação. A usina está localizada a 240 quilômetros ao norte de Tóquio.

A crise do Japão foi classificada no mesmo nível que o pior acidente nuclear do mundo em Chernobyl, em 1986, apesar de a quantidade total de radiação emitida ser apenas uma fração daquela liberada quando a usina nuclear na Ucrânia explodiu.

A Tepco e o governo estão sob pressão para oferecer um cronograma para a contenção da crise e para esclarecer quando a população que foi removida da área ao redor da usina poderá voltar para casa.

O primeiro-ministro Naoto Kan enfrentou críticas por seus comentários, que depois ele negou ter feito, sugerindo que a população não poderia retornar por 10 ou 20 anos.

Depois de atingir um desligamento frio na usina de seis reatores, a Tepco disse que iria se concentrar nas questões de longo prazo, como selar as estruturas de contenção dos reatores, limpar o solo contaminado e transferir o combustível nuclear para um local seguro de armazenamento.

Dois dos reatores já estão em condição estável.

"Eu acho que é viável, dadas as informações que a Tepco divulgou até agora", disse um professor universitário do Japão sobre o prazo de seis a nove meses. O professor pediu para que seu nome não fosse citado.

"Mas ainda existem tantas questões que não são conhecidas, e quando você multiplica (os dados) desconhecidos por quatro reatores, é difícil dizer se essa é uma meta realista."

COMPENSAÇÕES

A Tepco ainda precisa determinar quanto irá pagar aos moradores e empresas prejudicados pela crise. O governo expandiu a zona de exclusão de 20 quilômetros ao redor da usina por conta do alto índice de radiação acumulada.

A JP Morgan estimou que a Tepco teria um prejuízo de 2 trilhões de ienes (24 bilhões de dólares) em compensações no ano fiscal que começou no mês passado, enquanto a Bank of America-Merrill Lynch disse que a conta poderia atingir 130 bilhões de dólares se a crise continuar.

O governo está desesperadamente tentando elaborar um plano para limitar o prejuízo da Tepco, que fornece cerca de um terço da energia do Japão e cuja falência provavelmente iria desestabilizar os mercados financeiros.

A Tepco tinha 91 bilhões de dólares em dívida em suas contas antes da crise de março, e desde então, retirou um empréstimo bancário de 24 bilhões de dólares.

O presidente da Tepco, Tsunehisa Katsumata, disse que a empresa estava considerando vender seus bens e tomar outras medidas de reestruturação para pagar as compensações, mas afirmou que precisaria da ajuda do governo.

"Não podemos responder nada sobre compensações até que o plano do governo seja estabelecido. Nenhuma quantidade de venda de bens seria o suficiente se a Tepco tiver de arcar com toda a compensação", afirmou. "Portanto estamos dizendo que queremos que o governo decida o plano imediatamente."

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