Oposição a Assad reforça pressão para receber armas

Conselho opositor da Síria acusa aliados do Ocidente e árabes de não darem 'nenhuma ajuda para o povo sírio se defender'

RENATA MIRANDA, ENVIADA ESPECIAL / BERLIM, O Estado de S.Paulo

26 Março 2012 | 03h03

O Conselho Nacional Sírio (CNS), que reúne vários grupos de oposição ao regime de Bashar Assad, cobrou da comunidade internacional uma posição mais dura diante da repressão aos protestos que tomam conta do país há mais de um ano. Ao Estado, George Sabra, integrante do secretariado do CNS, disse que, para pôr um fim na matança perpetrada por forças de Assad, a única solução é que países armem o Exército Sírio Livre.

"Temos na Síria hoje uma revolução profunda, com pessoas que se sacrificam por um bem maior", afirmou Sabra, que esteve na Alemanha para participar de um ato de arrecadação de fundos para o movimento opositor na Síria. "O problema é que os países árabes e a comunidade internacional não deram nenhum tipo de ajuda para o povo sírio se defender do regime sangrento de Assad."

De acordo com dados do Comitê Sírio de Direitos Humanos, com base em Londres, 11.358 pessoas foram mortas em 369 dias de conflito até o dia 20. Deste número, 807 são crianças e 681 são mulheres. A maior parte das mortes - 4.633 - ocorreu na cidade de Homs, onde a oposição a Assad é mais forte.

"O povo sírio continuará a revolução até que um novo país seja construído, com um governo escolhido pelo voto popular", disse Sabra. "Seguiremos na luta até que Assad saia. Até o fim."

Na sexta-feira, ministros de Relações Exteriores da União Europeia, reunidos em Bruxelas, emitiram uma nova rodada de sanções contra o regime sírio. Desta vez, parentes de Assad foram proibidos de viajar a países do bloco europeu e também tiveram bens congelados. Empresas do continente também foram proibidas de negociar com companhias sírias.

Para Sabra, as sanções não são suficientes para pressionar Damasco. "Assad continua recebendo todo tipo de apoio que precisa de seus aliados da Rússia, China e Irã. Por isso, esse tipo de ação não é eficiente", explicou o opositor, que fugiu da Síria há dois meses após caminhar por um dia até a Jordânia. De lá, ele seguiu com a família para Paris.

Questionado se uma intervenção militar ao estilo da que ocorreu na Líbia ajudaria a pôr fim na onda de repressão, Sabra foi enfático: "Não precisamos de soldados estrangeiros na Síria. O que precisamos é que o Exército Sírio Livre seja armado".

Walid Saffour, presidente do Comitê Sírio de Direitos Humanos, acredita que a comunidade internacional não tem interesse em intervir na Síria. "É uma situação muito complicada e, também, não há petróleo na Síria, como havia na Líbia."

ONU. Sabra também criticou a decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que durante a semana passada convocou tanto opositores como partidários do regime sírio a interromper os combates e negociar uma solução para o conflito. A declaração do CS, que teve o voto da Rússia e da China, num raro momento de unidade no órgão em relação à crise, apoia a iniciativa do enviado especial da entidade para a região, Kofi Annan.

"O plano de Annan é um passo importante, mas não passa de uma declaração", disse Sabra. "O que precisamos é de decisões do Conselho de Segurança."

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