Oposição a Evo rejeita referendo revogatório

Os governadores de cinco departamentos opositores da Bolívia rejeitaram ontem o referendo sobre revogação de mandatos marcado para 10 de agosto e pediram uma reunião com o presidente Evo Morales a fim de iniciar negociações sobre um "pacto nacional" e um modelo de autonomia para as regiões do país. O pedido foi feito um dia depois de Tarija aprovar em referendo o estatuto com o qual pretende obter autonomia de La Paz. Autoridades das regiões de Santa Cruz, Beni e Pando, que já aprovaram seus estatutos de autonomia, reuniram-se com representantes de Tarija na capital desse departamento. O encontro contou com a participação do governador de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, que quer fazer um referendo semelhante em sua região. Reyes Villa alertou que, se Evo "mantiver a arrogância" e rejeitar a proposta de negociações, "o único caminho que resta é antecipar as eleições gerais". O ministro do Interior, Juan Ramón Quintana, braço direito de Evo, respondeu acusando os governadores oposicionistas de pretender dar "um golpe na Constituição e na democracia" e promover a divisão do país. "Eles não deveriam temer o veredicto do povo", afirmou Quintana. No referendo de agosto estarão em jogo não só os mandatos dos governadores, como também o de Evo. Ontem, a apuração de 55% das urnas dava ao "sim" à autonomia 81% dos votos no referendo de domingo em Tarija, com 30,7% de abstenção. O governo central, porém, não reconheceu o resultado, alegando que mais de metade da população da região não participou da consulta.

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