Oposição a Evo se dispõe a ir ao exterior para manter deputados

MSM e PVB, que têm um parlamentar cada, usarão todos os recursos caso TSE redistribua vagas conquistadas no dia 12

LA PAZ, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2014 | 02h05

O Movimento Sem Medo (MSM) e o Partido Verde da Bolívia (PVB) afirmaram ontem que usarão todos os recursos para defender as cadeiras que conquistaram na Câmara dos Deputados nas eleições do dia 12. No fim de semana, o Movimento ao Socialismo (MAS), do presidente Evo Morales, pediu ao Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) que redistribua as cadeiras das duas siglas para cumprir uma cláusula de barreira prevista na lei boliviana.

Com 99,82% dos votos apurados, tanto o MSM quanto o PVB elegeram um deputado cada. No entanto, os dois partidos tiveram menos de 3% dos votos na disputa nacional para presidente - e, de acordo com a Lei de Regime Eleitoral, devem perder a pessoa jurídica e o registro no TSE.

"O que pediremos é uma interpretação jurídica sobre a perda da pessoa jurídica com a análise dos votos válidos na disputada para presidente e para deputado uninominal", disse Fabián Yaksic, que disputava uma cadeira na Câmara pelo MSM, ao jornal La Razón, de La Paz. "Se for feita uma média das duas votações, não perdemos nosso registro no TSE."

Margot Soria, que disputou a vice-presidência pelo PVB, afirmou que seu partido também defenderá a vaga conquistada tanto no TSE quanto em outras instâncias, incluindo em tribunais internacionais, se for necessário. "O oficialismo nos roubou votos e deve devolver nossa pessoa jurídica. Por isso, seguiremos adiante, com advogados, para analisar a questão dessa vaga e ver as instituições para as quais vamos recorrer", disse Margot. "Esgotaremos as instâncias nacionais e iniciaremos uma campanha internacional."

Apesar de algumas pessoas ligadas ao TSE afirmarem que a Lei de Regime Eleitoral deve ser cumprida, a porta-voz do órgão, Dina Chuquimia, afirmou que um pronunciamento oficial sobre o caso só será feito após o conclusão da apuração, prevista para o começo de novembro.

Ontem, a Unidade Democrática (UD), que ficou em segundo lugar na disputa presidencial, apresentou um recurso ao pleno do TSE pedindo a suspensão da presidente da entidade, Wilma Velasco, e do porta-voz, Ramiro Paredes, por infrações graves que os dois teriam cometido durante o processo eleitoral.

"Pedimos uma suspensão temporária, mas, caso um processo interno comprove o descumprimento de princípios e omissões dos dois, pediremos a suspensão definitiva", explicou o delegado político da UD, Francisco Aramayo, ao La Razón.

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