Oposição abandona 2º turno das eleições no Afeganistão

O candidato da oposição no segundo turno das eleições afegãs, Abdullah Abdullah, anunciou hoje que se retirou do pleito, seis dias antes de serem realizados, concedendo efetivamente vitória ao presidente do Afeganistão, Hamid Karzai. O chefe da comissão indicado por Karzai, Azizullah Lodin, afirmou que consultará advogados constitucionais antes de decidir se haverá o segundo turno. Em discurso emocionado, Abdullah afirmou a seus seguidores que a comissão eleitoral indicada por Karzai tramou uma grande fraude no primeiro turno e que seu pedido para substituição dos líderes da comissão foi rejeitada. "Não participarei das eleições em 7 de novembro", afirmou Abdullah, porque "não será possível a realização de eleições transparentes".

AE-AP, Agencia Estado

01 Novembro 2009 | 09h54

Perguntado por repórteres se estava convocando um boicote às eleições, Abdullah respondeu: "não fiz tal pedido". Abdullah também não mencionou se tomaria parte em qualquer coalizão futura de governo com Karzai, condição que os EUA e os parceiros internacionais do Afeganistão consideram a melhor saída para evitar o fortalecimento do Taleban. Ex-ministro das Relações Exteriores de Karzai, Abdullah, afirmou que a decisão foi tomada após Karzai negar sua demanda por mudanças na Comissão Eleitoral Independente e por outras medidas que, acredita, evitariam fraudes, as quais prejudicaram o primeiro turno, em 20 de agosto. Abdullah negou que sua decisão fosse um pedido de boicote das eleições e aconselhou seus seguidores a "não irem para as ruas e para não fazerem protestos".

Um cenário eleitoral nebuloso complica a decisão da administração Obama para de enviar mais 10 mil soldados para o Afeganistão para enfrentar o Talean e seus aliados do Al-Qaeda. A Casa Branca aguarda uma solução sobre o pleito desde agosto, mas nesse ínterim a guerra no país intensificou-se. Outubro foi o mês com o maior número de baixas no exército norte-americano desde a chegada das forças norte-americanas no Afeganistão, em 2001. Em outubro, 57 soldados norte-americanos morreram.

Abdullah disse que o governo da Karzai não foi legitimado desde que seu mandato expirou, em maio. A Corte Suprema, indicada por Karzai, estendeu seu mandato após o impasse do pleito de agosto. "Em uma hora, todas as minhas condições poderiam ter sido implementadas. Infelizmente, eles estão esperando até o último momento, mas ouvimos que rejeitaram nosso apelo", disse Abdullah.

Segundo ele, o povo do Afeganistão "tem o direito" à uma eleição livre e justa, mas a última tentativa foi um fracasso. Autoridades da administração Obama disseram ser simpáticos a um acordo de divisão de poder para evitar as eleições. Mas Abdullah decidiu sair da disputa após as conversações terem sido rompidas na quinta-feira, segundo duas pessoas próximas às negociações. Durante as negociações, Abdullah pediu a retirada de três autoridades da comissão eleitoral, a suspensão de três membros do gabinete e mudanças constitucionais para conceder-lhe o direito de opinião na indicação dos ministros e em qualquer grande decisão política, segundo uma fonte próxima à campanha de Karzai. O presidente afegão discordou das condições.

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