Oposição aceita transferência de poder a vice no Iêmen

Saleh está na Arábia Saudita se recuperando de cirurgia; EUA pedem transição imediata

BBC

06 de junho de 2011 | 18h51

SANAA - Representantes da principal coalizão de oposição no Iêmen disseram nesta segunda-feira, 6, que aceitam a transferência de poder no país para o vice-presidente, depois que o titular, Ali Abdullah Saleh, deixou o país para buscar tratamento médico.

 

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"A oposição apoia a completa transferência de poder para o vice-presidente. Se isto não acontecer, a oposição e os movimentos jovens têm opções alternativas, como um conselho de transição", disse o porta-voz da oposição Sultan El-Atwani.

Saleh está desde sábado na vizinha Arábia Saudita se recuperando de uma cirurgia para remover estilhaços de seu peito causados por um ataque contra o complexo presidencial, na capital do país, Sanaa, um dia antes. O vice Abd-Rabbu Mansour Hadi assumiu o cargo, mas Saleh não assinou um acordo de transferência de poder. Não está claro quando ele pretende retornar ao Iêmen. Hadi possui, na prática, pouco poder, já que os filhos de Saleh e outros de seus parentes estão no comando de postos-chave das forças de segurança.

 

Milhares de pessoas vêm celebrando a partida do presidente, que está há 33 anos no poder, depois de semanas de protestos contra o seu governo, mas choques entre manifestantes e a polícia em Sanaa deixaram três mortos nesta segunda-feira.

 

 

Hillary

Também nesta segunda-feira, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, reiterou o desejo de seu país de ver uma transição imediata de poder no Iêmen. "Obviamente não posso especular sobre o que o presidente Saleh fará ou dirá, mas quero enfatizar que pedimos por uma transição pacífica e ordenada, uma transição de poder não violenta que seja consistente com a constituição iemenita", disse ela.

"Pensamos que uma transição de poder imediata é do maior interesse do povo iemenita porque a instabilidade e falta de segurança atuais do país não podem ser resolvidas até que exista um processo que (...) levará a reformas econômicas e políticas", completou. 

O atentado de sexta-feira realizado contra Saleh se deu após dias de enfrentamentos de rua entre forças do governo e ativistas leais a Sadiq Al-Ahmar, que comanda o grupo tribal Hashid. A trégua negociada entre o grupo leal a Hashid e as forças do governo, a partir desta segunda-feira, deu sinais de estar sendo respeitada. Esses combates e a repressão, pelas forças do governo, dos protestos que há meses pedem a saída de Saleh já mataram mais de 160 pessoas.

Os protestos que vêm sacudindo o país se inspiraram nas insurreições populares realizadas na Tunísia e no Egito, que levaram à deposição dos líderes destes países. Assim como nos outros países árabes, os manifestantes vêm pedindo reformas democráticas e a renúncia do presidente.

Saleh concordou com um acordo intermediado pelo Conselho de Cooperação do Golfo, pelo qual ele aceitaria renunciar e, em troca, não seria processado. Mas por ora ele vem se recusando a assinar o acordo. Alguns analistas acreditam que a Arábia Saudita fará uso de sua presença no país para pressionar o governo a ratificar o tratado.

 

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