Oposição acusa Cuba de nova onda de repressão

Militantes denunciam o regime por 'assassinar' dissidente detido dias antes, prender 6 pessoas por razões políticas e espancar manifestantes

Guilherme Russo, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2011 | 00h00

Seis presos po políticos e um militante dos direitos humanos morto. Esse é o resultado do que os dissidentes do governo de Cuba classificam como uma nova onda repressiva do regime. Os opositores veem, apesar da libertação dos 75 condenados da Primavera Negra de 2003 - a última ofensiva do regime contra a dissidência -, a intensificação da repressão na ilha por parte de Raúl Castro.

Juan Wilfredo Soto, de 46 anos, morreu em 8 de maio num hospital da cidade de Santa Clara, dias depois de ser detido pela polícia local. Enquanto estava internado, o opositor denunciou ter sido espancado. "Não sei se eles tinham a intenção de matá-lo", disse ao Estado o dissidente Guillermo Fariñas, que, após denunciar o que chamou de assassinato do colega, fez uma greve de fome para chamar atenção para a morte, que Havana atribuiu a "causas naturais".

Segundo Fariñas, a prisão de Soto - que afirmou ter sido detido apenas por se recusar a deixar um parque onde conversava com amigos - teve motivação ideológica. "A abordagem de opositores tem de contar com autorização do Departamento de Segurança de Estado (polícia política). Se Soto acabou detido pela polícia criminal, foi por ordem da outra (força do regime)."

O governo não divulgou o motivo da detenção e negou que Soto tenha sido espancado.

No dia 31, a Justiça condenou quatro homens por distribuírem panfletos em Havana. Sob acusações de "desacato" e "desordem pública", Luis Enrique Labrador, de 33 anos, David Piloto, de 40, e Walfrido Rodríguez, de 42, foram sentenciados a 5 anos de prisão - Yordanis Martínez, de 23, foi condenado a 3 anos.

Fariñas - que entre julho e maio foi detido sete vezes - e outros dissidentes contam que, há cerca de dez dias, dois jovens foram presos ao serem pegos ouvindo rap. O estilo musical é tido como "subversivo" .

O opositor Óscar Elías Biscet afirmou que, recentemente, sete mulheres foram espancadas pela polícia em Havana enquanto faziam uma manifestação.

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