Oposição acusa Obama de leniência com muçulmanos

Uma preocupação excessiva com o "politicamente correto" fez com que a Casa Branca não agisse a tempo de impedir o massacre cometido pelo major Nidal Malik Hasan. Essa é a acusação que está sendo feita por vários analistas e políticos republicanos. O governo norte-americano sabia que Hasan, que matou 13 pessoas em Fort Hood na quinta-feira, havia trocado entre 10 e 20 mensagens com o imã Anwar Al-Aulaki, um radical que defende a Al-Qaeda. Mas eles suspenderam as investigações sobre Hasan, dizendo que as mensagens eram estritamente profissionais.

AE, Agencia Estado

11 Novembro 2009 | 09h23

Segundo conservadores, o governo não levou adiante as investigações para não ser acusado de discriminação contra muçulmanos. "Que surpresa, alguém que grita Allahu Akbar (Deus é grande, em árabe) e depois mata soldados tem motivação islâmica. Todos os indícios que as pessoas tiveram, e deixaram de reportar, são um exemplo de como o politicamente correto é não apenas uma abominação moral, mas também um perigo", disse o colunista conservador Charles Krauthammer na rede de TV Fox. Ontem, em seu site, o imã Al-Aulaki comemorava o massacre.

A Casa Branca, que até então vinha dizendo que Hasan era apenas um indivíduo com graves problemas psicológicos que o levaram a cometer o crime, mudou de rota. Ontem, durante uma visita a Fort Hood para homenagear os mortos e visitar os feridos no massacre, o presidente Barack Obama mencionou pela primeira vez a possível motivação religiosa de Hasan. "Nenhuma fé justifica esses atos assassinos. Nenhum Deus misericordioso perdoará isso", disse. Foi uma crítica à lógica dos jihadistas - eles acreditam que serão perdoados por seus crime cometidos em nome da fé. Mesmo assim, Obama teve o cuidado de não usar a palavra "muçulmano" nenhuma vez em seu discurso.

Até colunistas mais moderados, como David Brooks, do "New York Times", criticaram a "miopia" do governo. Para evitar um linchamento moral de muçulmanos, as autoridades vinham ignorando a possível motivação religiosa do crime e a guerra do Islã radical contra os Estados Unidos, disse Brooks. Retrataram Hasan como "um indivíduo perturbado, que estava sob estresse". "Um manto de correção política envolveu a discussão'', afirmou o colunista.

"A discussão ignorou o fato de a guerra contra o Islã ser a principal característica da política externa norte-americana. E essa guerra pode ser abraçada por grupos em Teerã, Gaza ou Kandahar, mas também por um indivíduo radical nos EUA." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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