Jorge Cabrera / Reuters
Jorge Cabrera / Reuters

Oposição acusa Ortega de fechar empresas na Nicarágua

Empresas de pequeno porte tiveram registros cassados e teriam sido impedidas de funcionar pelo governo do país

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2019 | 20h39

MANÁGUA - A oposição da Nicarágua acusou neste domingo, 2, o presidente Daniel Ortega de fechar empresas de pequeno porte que apoiaram um locaute convocado contra o governo sandinista na semana passada. A paralisação e a resposta de Ortega ocorreram em meio ao impasse para pôr fim à crise política no país, iniciada no ano passado, quando o líder sandinista reprimiu com violência protestos contra uma reforma previdenciária. 

Em nota, a Aliança Cívica pela Democracia disse ter havido o fechamento arbitrário de pequenas empresas como restaurantes e farmácias em ao menos três províncias do país. Os empresários relataram também denúncias de acosso e suspensão de licenças. “Condenamos o regime de Ortega por mais essa modalidade de repressão”, disse a entidade. 

A oposição citou exemplos de restaurantes que foram fechados por muro de concretos de até três metros pelo fisco nicaraguense e farmácias que tiveram o registro cassado pelo Ministério da Saúde pela falta grave de apoiar o protesto contra Ortega. “Novamente o regime mostrou seu caráter autoritário e seu desprezo pela liberdade de empresa”, concluiu a Aliança em nota. 

O locaute foi uma das modalidades de protesto escolhida pela oposição contra o presidente, a quem culpam pela morte, desaparição e prisão de centenas de pessoas desde abril de 2018.

Horas antes da paralisação, o governo já tinha ameaçado empresários que apoiassem a paralisação. Apesar de prometer agir contra negócios de distintos tamanhos, até agora Ortega visou apenas pequenas empresas, também de acordo com a oposição. 

O governo nicaraguense não se pronunciou sobre as acusações.

Uma rodada de negociações que começou em março, patrocinada pela Igreja Católica e igrejas evangélicas, fracassou de pois de o governo reprimir um protesto contra Ortega.

Segundo a ONU, cerca de 62 mil pessoas deixaram a Nicarágua no último ano por causa da crise política e social que atinge o país. Desse total, 55 mil pediram refúgio na Costa Rica. A repressão à onda de protestos contra o governo, que explodiu em abril do ano passado, deixou pelo menos 325 mortos, e mais de 700 detidos. / EFE

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