AP Photo/Ariana Cubillos, File
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Oposição acusará Maduro de ‘abandono do cargo’

Constituição prevê essa possibilidade quando há uma “ falta absoluta”, o que permitiria em tese convocar eleições em 30 dias

O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2016 | 21h02

CARACAS - O Parlamento venezuelano, de maioria opositora, acusará no em 5 de janeiro o presidente Nicolás Maduro de abandono de cargo. A Constituição prevê essa possibilidade quando há uma “ falta absoluta”, o que permitiria em tese convocar eleições em 30 dias. Esse desfecho é improvável porque o chavismo domina o Judiciário e poderia bloquear a manobra.

A iniciativa foi anunciada pelo presidente do Congresso, Henry Ramos Allup. A alegação dos opositores é que Maduro extrapola suas atribuições. 

A Venezuela enfrenta uma grave crise econômica, com reflexos em segurança. A promotora-geral Luisa Ortega Díaz informou nesta quarta-feira que 424 pessoas foram detidas em “incidentes de violência” ocorridos em 9 Estados do país no fim de semana. Ela acrescentou que 16 dos detidos já foram inocentados pelos tribunais e libertados. 

 No fim de semana, ocorreram protestos em vários Estados diante de lojas e bancos que, em alguns casos, terminaram com saques e destruição. Os atos ocorreram após Maduro ordenar a retirada de circulação da cédulas de 100 bolívares – o equivalente a US$ 0,15 pelo câmbio oficial ou US$ 0,02 pelo mercado paralelo – sem antes pôr em circulação as novas cédulas de 500, 1.000, 2.000, 5.000, 10.000 e 20.000 bolívares já anunciadas. Os manifestantes exigiam que as lojas aceitassem as notas de 100 bolívares. 

Segundo Ortega, dos 424 presos, 338 foram levados aos tribunais. Entre eles, 233 permaneceram detidos, 79 foram soltos, mas terão de se apresentar à Justiça periodicamente, e 1 recebeu prisão domiciliar. Outros 9 saíram sob fiança. Os que permaneceram presos foram acusados de “instigação à desobediência das leis, instigação à devastação e aos saques e incêndio de edifícios”. / EFE

 

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