Oposição afegã pede ajuda dos EUA para "grande ofensiva"

Frustrados com três semanas de bombardeios aéreos norte-americanos que não conseguiram vencer as linhas de frente do Taleban, forças oposicionistas afegãs planejam o que disseram hoje ser "uma grande ofensiva" contra um estratégico bastião taleban no norte do Afeganistão. "Precisamos da ajuda americana" para concretizá-la, disse um porta-voz da oposicionista Aliança do Norte. Em Washington, a porta-voz do Pentágono, Victoria Clark, disse que os militares norte-americanos estenderam os bombardeios para a fronteira afegã com o Tajisquistão, onde tropas do Taleban resistem às forças da oposição na estratégica cidade de Mazar-i-Sharif.Com a campanha aérea liderada pelos EUA no Afeganistão entrando na quarta semana, aviões de combate norte-americanos também despejaram seis bombas durante a tarde a cerca de três ou quatro quilômetros atrás das linhas do Taleban, nas proximidades da base aérea de Bagram, uns 50 km ao norte de Cabul.Carroça"Estava sentado na minha carroça e vi jatos americanos darem rasantes e jogando bombas no setor de Bagram", disse Khan Shirin, um combatentes de 22 anos de um ponto privilegiado na principal rodovia que liga Bagram a Cabul.Forças talebans dispararam armas antiaéreas e houve esporádica troca de tiros entre a milícia islâmica e forças da Aliança do Norte. Shirin afirmou que a linha de frente esteve relativamente calma durante quase todo o dia. Os céus sobre Cabul também estavam calmos um dia depois de bombardeios norte-americanos que atemorizaram moradores e mataram 13 civis.Também hoje, jatos norte-americanos atacaram o aeroporto de Kandahar, no sul do Afeganistão, no último de uma série de ataques que vem provocando o esvaziamento da cidade. Segundo oficiais talebans, "enormes explosões" foram vistas no local. Kandahar é a base do taleban, e vem sendo atacada praticamente todos os dias desde o início da ofensiva.CavernasNo Pentágono, Clark disse que bombardeiros dos EUA também estavam atacando sistematicamente o complexo de cavernas usado por combatentes de Osama bin Laden e sua rede terrorista Al-Qaeda.A campanha de bombardeios aéreos, lançada em 7 de outubro, tem se concentrado em alvos do regime Taleban e da Al-Qaeda, acusada dos atentados terroristas do mês passado nos Estados Unidos. O Pentágono tem lamentado a ocorrência de vítimas civis na campanha, garantindo que elas foram resultado de acidentes. Os EUA acusam o Taleban de estar aumentando o número de vítimas civis para atrair simpatias.Em Islamabad, Paquistão, o embaixador taleban Abdul Salam Zaeef disse que a primeira fase da campanha militar norte-americana "não teve o alcance significativo que o Pentágono queria, exceto o genocídio do povo do Afeganistão".Líderes médiosSegundo o secretário de Defesa dos EUA, Donald H. Rumsfeld, alguns líderes terroristas de nível médio foram mortos pelos ataques norte-americanos contra o território afegão. "Segundo o que sabemos, nenhum dos seis, oito, dez principais líderes está incluindo (na lista de mortos)", afirmou o secretário.Forças oposicionistas afegã reclamam que os bombardeios norte-americanos são brandos demais para forçar o recuo de tropas do Taleban defendendo Cabul e a cidade nortista de Mazar-i-Sharif.Descontentes com o ritmo dos esforços para a captura de território dominado pelo Taleban, comandantes-chave da oposição reuniram-se no domingo por cinco horas para planejarem uma grande ofensiva contra Mazar-i-Sharif, segundo o porta-voz opositor Ashraf Nadeem. Os comandantes também conversaram sobre ofensivas conjuntas nas províncias vizinhas de Balkh e Samangan, acrescentou.Longa lutaParticiparam da reunião, disse ele, antigas figuras da longa luta da oposição: o líder usbeque Rashid Dostum, o líder muçulmano xiita Mohammed Mohaqik e Atta Mohammed, comandante do deposto presidente afegão Burhanuddin Rabbani.O Taleban expulsou o governo de Rabbani da capital em 1996. Dois anos depois, combatentes da milícia capturaram Mazar-i-Sharif, que as reagrupadas forças da oposição haviam transformado em sua base nortista.Forças de oposição tem combatido esporadicamente desde então para retomar as duas cidades. Desde o início da campanha de bombardeios dos EUA, ofensivas da oposição não produziram qualquer ganho ao redor de Mazar-i-Sharif.A captura de Mazar-i-Sharif abriria uma crucial linha de suprimentos a partir do Usbequistão para a oposição pobremente armada do Afeganistão - permitindo a chegada de munições, tropas e equipamentos antes que o inverno, que chegará em semanas, inviabilize qualquer grande ofensiva.Hoje, Nadeem disse ter recebido notícias de que o Taleban reforçou com mais 2.000 homens suas defesas nas províncias de Balkh e Samangan, nas proximidades de Mazar-i-Sharif.AjudaPara superarem as defesas, afirmou ele, as forças da oposição precisam de forte apoio aéreo dos EUA. "Para a nova operação, quando ela ocorrer, precisamos da ajuda americana", disse o porta-voz da oposição.Enquanto isso, o líder supremo taleban, mulá Mohammed Omar, advertiu que os EUA receberão no Afeganistão uma "lição mais dura" do que teve a União Soviética.Omar disse ao jornal argelino El Youm que uma vez que tropas norte-americanas estejam em território afegão, os EUA perderão sua vantagem tecnológica. "Nunca iremos recebê-los com flores", afirmou. "Eles vão receber uma lição mais dura do que a que receberam seus predecessores russos".Leia o especial

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