Oposição alerta Obama sobre uso de decretos

Oposição alerta Obama sobre uso de decretos

Líder republicano disse ontem que presidente americano corre o risco de minar relação com o Congresso se insistir em temas como lei de imigração

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2014 | 02h00

A reforma migratória pode causar o primeiro enfrentamento entre o presidente Barack Obama e os republicanos que saíram vitoriosos das eleições de meio de mandato na terça-feira. O líder do partido oposicionista na Câmara dos Deputados, John Boehner, disse ontem que Obama "envenenará" a relação com o Congresso se cumprir sua promessa de usar decretos para mudar aspectos do sistema de imigração até o fim do ano.

A não aprovação da reforma é uma das principais fontes de frustração de Obama em seu relacionamento com a oposição. Com apoio de 14 republicanos, o Senado aprovou em junho de 2013 projeto que abre a possibilidade de obtenção da cidadania americana para cerca de 11 milhões de imigrantes que vivem de maneira ilegal no país.

A proposta nunca chegou ao plenário da Câmara dos Deputados, controlada pelos republicanos, em razão da regra que dá ao presidente da Casa o poder de só colocar em votação projetos que tenham apoio da maioria dos parlamentares do partido majoritário - a "maioria da maioria". Os democratas sustentam que teriam votos suficientes para aprovar a reforma caso ocorresse a votação.

"O que eu não vou fazer é só esperar", disse Obama na quarta-feira, ao comentar os resultados da eleição. Os republicanos conquistaram maioria no Senado, ampliaram sua vantagem entre os deputados e ganharam a disputa na maioria dos governos estaduais, na maior derrota democrata desde a chegada de Obama ao poder, em 2009.

O presidente afirmou na quarta-feira que usaria seus poderes executivos para aperfeiçoar o sistema de imigração e aumentar os recursos destinados à fronteira. As medidas ficariam em vigor até o Congresso aprovar uma reforma ampla, com temas que não podem ser tratados em decretos.

"Acho que é justo dizer que demonstrei muita paciência e tentei trabalhar em termos bipartidários sempre que possível e vou continuar a fazer isso", observou Obama. "Mas, enquanto isso, vamos descobrir o que podemos fazer de maneira legal com atos executivos para melhorar o funcionamento do sistema existente."

Boehner, que preside a Câmara dos Deputados, disse que esse caminho prejudicará ainda mais o relacionamento de Obama com os republicanos. "Eu deixei claro ao presidente que, se agir de maneira unilateral, por conta própria, fora de sua autoridade, ele vai envenenar a mina e não haverá nenhuma chance de a reforma de imigração avançar nesse Congresso. É simples assim", declarou o parlamentar ontem.

Obama terá de governar durante seus dois últimos anos de mandato com as duas Casas legislativas sob o comando do Partido Republicano. Segundo Boehner, a tarefa de costurar consensos não será fácil e ficará ainda mais árdua se o presidente não demonstrar disposição de trabalhar com os republicanos.

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