Oposição ameaça abandonar 2º turno das eleições no Afeganistão

Ex-ministro Abdullah Abdullah acusa governo de Karzai de não dar 'condições mínimas' para evitar novas fraudes.

BBC Brasil, BBC

31 de outubro de 2009 | 08h00

O principal representante da oposição no segundo turno das eleições afegãs, marcado para o dia 7 de novembro, está se preparando para abandonar o pleito, disse à BBC um assessor do candidato.

A medida seria um protesto contra a possibilidade de fraude no segundo turno da disputa, a exemplo do que ocorreu no primeiro, em agosto.

O candidato havia dito que não disputaria as eleições se até este sábado o diretor da Comissão Eleitoral Independente, Azizullah Lodin, não renunciasse. A hipótese foi rejeitada pelo presidente Hamid Karzai.

Como "condições mínimas" para permanecer na disputa, Abdullah Abdullah também pediu o fechamento de diversos postos de votação.

"Nada mudou", disse à BBC o Ahmed Wali Massoud, um dos principais assessores do candidato. "O fato é que a infraestrutura desta fraude ainda está presente. Verificaram-se irregularidades em quase 1,5 milhão de votos", afirmou.

Ele acrescentou que, "se o segundo turno for realizado, voltará a ocorrer fraude, portanto, não creio que estaríamos dispostos a participar".

Significado

O correspondente da BBC em Cabul Ian Pannell disse que a recusa de Abdullah de participar da votação não significa necessariamente uma retirada oficial de sua candidatura.

Segundo o repórter, o ex-ministro do Exterior poderia simplesmente aconselhar seus partidários a não votar nas eleições. Ele deve definir neste fim de semana qual seria o próximo passo em relação ao tema.

Como o difícil e lento processo eleitoral afegão tem mostrado, é difícil saber os detalhes da decisão dele até que haja um anúncio oficial, avaliou o repórter.

Centenas de milhares de votos foram anuladas no primeiro turno das eleições, em agosto, por conta de irregularidades. Com isso, a proporção de votos obtidos por Karzai caiu para menos de 50% do total, levando a um segundo turno.

A comissão eleitoral havia anunciado que planeja abrir 6.322 postos de votação para a segunda rodada, mais do que os 6 mil que estiveram disponíveis na primeira.

Esta medida iria na contramão da recomendação da comissão fiscalizadora, de reduzir o número para 5,8 mil visando a destacar mais monitores e pessoal de segurança para cada seção eleitoral.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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