Oposição ameaça abandonar as negociações na Venezuela

O fim da greve geral, que se mantém parcialmente apenas na estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA), não aliviou a tensão entre a oposição e o governo do presidente Hugo Chávez. Irritada com as declarações de Chávez e a recusa, por parte do governo, a aceitar uma proposta de reforma constitucional para reduzir o mandato do presidente de seis para quatro anos, a oposição ameaça abandonar definitivamente a mesa de diálogo mediada pela Organização de Estados Americanos (OEA). Timoteo Zambrano, porta-voz da Coordenação Democrática - aliança que congrega as entidades de oposição -, disse que o governo não tem mostrado interesse em nenhum acordo. O longo (estendeu-se por sete horas) e desafiante discurso de Chávez feito domingo em seu programa semanal de TV - no qual, por causa do fim da greve, proclamou-se vencedor da queda-de-braço com a oposição - afastou ainda mais a possibilidade de uma conciliação. Por meio do vice-presidente, José Vicente Rangel, o governo rejeitou qualquer reforma antes de agosto - quando o presidente aceitaria se submeter a um referendo, previsto pela Constituição, que poderia revogar seu mandato. A proposta da oposição, que não quer esperar tanto para uma solução eleitoral, foi apresentada pelo ex-presidente americano Jimmy Carter. Ao mesmo tempo em que o comércio e a indústria venezuelanos começavam ontem a retomar suas atividades normais, após 63 dias de greve, opositores e partidários de Chávez voltaram às ruas de Caracas ontem, respectivamente para protestar e festejar o 11.º aniversário da tentativa de golpe liderada por Chávez contra o então presidente Carlos Andrés Pérez. O incidente mais grave ocorreu na frente da prefeitura da capital,quando simpatizantes chavistas entraram em choque com soldados da Polícia Metropolitana, comandada pelo prefeito oposicionista, Alfredo Peña. Pelo menos quatro manifestantes ficaram feridos. A emissora de TV Globovisión - de linha opositora - mostrou um grupo de chavistas com rosto coberto atirando pedras no prédio da prefeitura. O secretário de Segurança municipal, Ramón Muchacho, disse em entrevista à emissora que "bandos" de partidários do governo tentaram atacá-lo com pedras e armas de fogo. A mando de Peña, as dezenas de manifestantes foram dispersadas com bombas de gás lacrimogêneo. Enquanto isso, a aliança Coordenação Democrática lembrou a data com uma "jornada de luto ativo".

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